Saúde  

Verme pode transmitir células cancerígenas para os humanos

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H_nanaCientistas do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) identificaram um novo quadro clínico enigmático, similar ao câncer em um colombiano de 41 anos. O paciente estava vivendo com HIV durante pelo menos sete anos, sem iniciar tratamento. Porém, uma tomografia computadorizada revelou tumores, que variavam de 0,4 a 4,4 centímetros em seu pescoço, gânglios linfáticos, pulmões e fígado. Além disso, exames de fezes constataram a presença de vermes dentro de seu corpo.

No momento em que os investigadores do CDC descobriram o que estava acontecendo, a condição do homem havia se deteriorado e ele estava sob cuidados paliativos. Ele morreu sem qualquer possibilidade de tratamento. Sua causa oficial de morte foi a Aids, sendo o câncer um contribuinte para seu estado debilitado.

O caso é a primeira transmissão conhecida de células cancerígenas de um parasita para um ser humano. A partir da biópsia dos tumores, os médicos descobriram que as células agiram como células cancerígenas em sua destrutividade, mas eram estranhas em outros aspectos. Elas eram cerca de dez vezes menores do que as células cancerígenas humanas normais, por exemplo.

Atis Muehlenbachs, patologista da unidade especial do CDC que investiga doenças e mortes ​​misteriosas, não tinha certeza do que fazer com as amostras de células, quando ele e sua equipe as receberam, em 2013. O padrão de crescimento das células foi semelhante ao do câncer, com uma alta taxa de multiplicação. Mas as células também se fundiam em conjunto, o que é raro em células humanas.

Na verdade, o patologista é cauteloso em chamar a doença do colombiano de câncer, porque essas células eram diferentes de células cancerígenas humanas normais, embora se comportassem de forma semelhante.

Após a realização de dezenas de testes, a equipe descobriu que as células continham trechos de DNA de uma tênia anã, a hymenolepis nana. Essa análise foi verificada por um pesquisador e especialista em tênia do Museu de História Natural  de Londres.

Os investigadores do CDC, que publicaram suas descobertas na última quarta-feira, 4, na revista New England Journal of Medicine, agora acham que o colombiano pode ter ingerido alguns ovos do parasita microscópico, provavelmente em alimentos contaminados por fezes de rato, insetos ou fezes humanas. Devido ao sistema imunológico comprometido do homem, as tênias se multiplicaram rapidamente dentro de seu trato gastrointestinal e as células invadiram outras partes de seu corpo. Porém, não está claro se as células já exibiam propriedades cancerígenas nos ovos do parasita ou se alguma interação entre o parasita e o corpo humano, fez com que elas se tornassem cancerígenas.

O estudo de caso é preocupante por vários motivos. Muitas criaturas, como vários animais marinhos, são suscetíveis ao câncer, enquanto outros, como os elefantes, são quase imunes à doença. Mas, até agora, os cientistas não acreditavam que qualquer parasita humano poderia portar células cancerígenas ou transferi-las para as pessoas.

A presença de células cancerígenas em tênias também levanta inúmeras questões sobre onde as células mutantes se originaram. Além disso, levanta a dúvida se outros organismos que vivem dentro das pessoas poderiam transmitir as células cancerígenas. Nos últimos anos, muitos cientistas têm enfatizado que o ecossistema do corpo humano é composto de 10% de células humanas, e 90% de células microbianas.

Geralmente, o câncer não é considerado uma doença transmissível, embora tenha havido casos muito raros de seres humanos que passam as células malignas para outros seres humanos através de transplante de órgãos ou da mãe para o feto durante a gravidez. Há também algumas espécies de animais, como os diabos-da-tasmânia e cachorros, que são conhecidos por terem células cancerígenas transmissíveis entre as próprias espécies. Contudo, o CDC não acredita que haja qualquer risco de as células cancerígenas da tênia serem diretamente transmitidas de uma pessoa para outra.

Infecções por tênia são muito comuns em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. A maioria das pessoas não apresentam sintomas e se livram dos parasitas rapidamente. Mas em pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, tênias tendem a prosperar e podem viver em seus hospedeiros por anos.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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