Vantagens e dificuldades do MBA

Daianna Karaian, formada pela Kellogg School of Management, revela como seu MBA ainda é útil na sua profissão. Da ‘The Economist’*
 
Hoje em dia, questionar o valor de uma formação em administração é um dos poucos setores em expansão. Até mesmo a Economist se diverte fazendo isso de tempos em tempos. Dois anos fora do mercado de trabalho e dezenas de milhares de dólares em mensalidades são um investimento inteligente? Um ano atrás, com um diploma recém-emitido e desempregada, eu estava cética.

Com experiência em sustentabilidade e marketing adquirida em ONGs, trabalhando para o governo e pequenas empresas, fui para a escola de administração desbravar território inexplorado: o MBA seria a minha ponte para o mundo corporativo. Eu frequentemente virava noites acompanhada de livros de finanças e contabilidade, explorando os cantos mais escuros do Excel, e aplicando solenemente a lei de Little para eliminar gargalos hipotéticos em fábricas imaginárias. Em seis meses, sentia que tinha aprendido o que eu poderia levar anos para aprender.

Isso não quer dizer que me achava a pessoa mais inteligente da turma. Pelo contrário, nos dez primeiros minutos de minha primeira aula, discutindo meu primeiro caso estratégico, propus uma solução que se provara errada – terrivelmente, espetacularmente errada. Admirava-me com os insights e a articulação de meus colegas, e também como eram interessantes – o veterano negro da Marinha retornando do Iraque, o escritor de programas de humor para a TV, o que tem boas conexões em Washington.

Depois eu me admiraria novamente com a dificuldade de encontrar um emprego numa crise econômica. Enquanto eu estava polindo o meu currículo, o Lehman Brothers veio abaixo. Enquanto eu estava sendo entrevistada para um estágio de verão, as economias europeias fraquejaram. Quando eu estava me formando, havia rumores de uma recessão em dois estágios.

Apesar das garantias de orientadores de carreira de que eu estava fazendo as coisas certas – acionando a minha rede de contatos, fazendo projetos empresarias para créditos acadêmicos, criando meu perfil online – eu estava colhendo os resultados errados. Após décadas de conquistas acadêmicas e profissionais, eu encarava rejeições repetidas e desestimulantes.

“Paralisamos completamente as contratações”. “Decidimos não preencher essa vaga”. O intrigante “é porque você não é perfeita”. E o pior de todos, o silêncio. Finalmente, após seis meses de uma procura exaustiva, recebi duas ofertas no mesmo dia. Aceitei um cargo de marketing na EDF Energy, a subsidiária do Reino Unido de uma empresa líder de energia nuclear.

É bom ter escolhido a melhor universidade de marketing do mundo para estudar. E não só porque eu estou ajudando a tornar a energia nuclear mais confiável logo após os desastres de Fukushima, ou porque estou tentando vender uma marca francesa para o público inglês. Eu também estou tentando educar os consumidores a respeito dos benefícios da eletricidade gerada com baixa emissão de carbono. As minhas anotações dos meus cursos de estratégia de marca, publicidade e administração de crises agora estão gastas.

Para além de um entendimento amplo do que faz uma organização funcionar, o curso de administração me deu tempo e espaço para satisfazer o meu interesse pelo marketing de produtos e marcas sustentáveis. Não havia cursos sobre isso, e orientadores vocacionais nunca tinham ouvido falar desta área. Mas o estudo independente, os projetos extracurriculares e as possibilidades de contatos tornadas possíveis por um MBA me deram o conhecimento e experiências necessários.

Fui para a faculdade de administração com uma ideia clara do que eu tinha que fazer. Deixei-a com uma determinação obstinada de ir atrás do que eu queria fazer. Para mim, o MBA não foi apenas uma oportunidade de conseguir um emprego com um ótimo salário ou subir alguns degraus da escada corporativa. O investimento – de tempo e dinheiro – valeria a pena apenas se me ajudasse a fazer algo em que eu acreditasse. A dificuldade que eu tive em encontrar um emprego – não qualquer emprego, mas o emprego certo na minha área de escolha – me ensinou a ser paciente e resistente. Esta busca me deu um sentido mais agudo dos meus pontos fortes e fracos, e motivações. Estas foram lições mais importantes do que qualquer coisa que eu tenha aprendido em sala de aula. Ao fim, eu recusei uma vaga muito bem remunerada em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo para aceitar um desafio mais atraente, ainda que menos lucrativo na EDF Energy.

Então valeu a pena? Ainda levará alguns anos até que eu possa confiantemente responder a essa pergunta. Um MBA provavelmente é como um bom vinho que se torna mais valioso com o tempo. (E sempre há o risco de descobrir que sua cara garrafa avinagrou). O que eu posso dizer com segurança após um ano de formada é que eu não me arrependo de nada.

* Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

 

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