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Valério oferece delação ao Supremo, informa assessoria do tribunal

A assessoria do Supremo Tribunal Federal informou que o tribunal recebeu em setembro um fax, endereçado ao presidente Carlos Ayres Britto, no qual Marcos Valério, condenado como operador do esquema do mensalão, oferece a delação premiada (dar novas informações sobre o processo em troca de benefícios).
A assessoria não informou quem enviou o fax. No documento, segundo o G1 apurou, Valério pede “proteção” em troca da delação.
Indagado pelo G1 se propôs a delação, o advogado Marcelo Leonardo, que defende Valério, respondeu somente que não comentará “especulações” sobre seu cliente. “Sobre isso, não tenho nada a declarar”, afirmou.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, classificou o fax como “hiperlacônico”, mas não quis comentar o conteúdo. Ele disse que determinou sigilo para o pedido e o encaminhou ao relator da ação penal do mensalão, ministro Joaquim Barbosa.
“Chegou um fax, não posso dizer o conteúdo porque está sob sigilo. Hiperlacônico. Mandei para Joaquim (Barbosa)”, afirmou o presidente do STF nesta terça durante a cerimônia de posse da procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Eunice Pereira Amorim Carvalhido.
Acusado pelo Ministério Público de ser o operador do mensalão, Valério foi considerado culpado pelo Supremo por cinco crimes (corrupção ativa, evasão de divisas, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e peculato) e condenado a 40 anos, 1 mês e 6 dias de prisão – até o final do julgamento o tamanho da pena ainda pode mudar.
Sob condição de anonimato, um dos ministros do STF disse que, nesta altura do julgamento, ainda que Valério preste novo depoimento com informações sobre o esquema do mensalão, a iniciativa não ajudaria a reduzir a pena.
Segundo esse ministro, a única hipótese plausível para Valério ter proposto a delação premiada na reta final do julgamento é tentar evitar a prisão em regime fechado.
Com a alegação de que tem a vida sob ameaça, ele poderia – em tese – obter um regime diferenciado de detenção, como a prisão domiciliar, na hipótese de colaborar com a Justiça revelando fatos sobre o mensalão ou outros supostos crimes cometidos pelos personagens envolvidos no esquema.
“Acho que ele está temendo a vida e está querendo proteção de testemunha. Se você dá a proteção de testemunha, obviamente que o cara não pode ficar na prisão – ou tem de ficar isolado”, afirmou o ministro.
Outro ministro ouvido pelo G1, que também não quis se identificar, observou que, se trouxer fatos novos relevantes, Valério pode, em tese, vir a ser incluído em um programa de proteção a testemunhas.
“É possível [integrá-lo ao programa de proteção a testemunhas]. Mas avaliar a serventia e utilidade do depoimento quem faz é o Ministério Público”, afirmou o ministro.

Fonte: votebrasil.com

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