Sexualização precoce e eterna das mulheres

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

No momento em que o público começa a se habituar a ver corpos de meninas de 13 anos adornados por vestimentas de US$ 10 mil, a edição francesa da revista Vogue levou a tendência a um novo nível com fotos polêmicas de uma menina de 10 anos em poses um tanto adultas.

A imagem da jovem Thylane Loubry Blondeau, deitada sobre um divã com pele de tigre, usando sapatos de salto alto, esmalte vermelho, joias e um penteado elaborado reacendeu as discussões na internet sobre a sexualização precoce de jovens meninas.

Como era de se esperar, a imagem de uma aluna da quarta série sendo usada para vender alta costura para mulheres adultas perturbou muitos internautas, mas a revolta é surpreendente, considerando que lojas como a Target vendem sutiãs com enchimentos e uniformes de camareiras francesas a meninas de 6 anos no Halloween.

Longe do espectro da revolta, ninguém parece saber responder se a sexualização precoce das meninas está alterando seu comportamento. Ao que tudo indica, não. Nos Estados Unidos, a maioria dos adolescentes não inicia a vida sexual até o fim do período escolar, e um número surpreendente espera para fazer sexo após a formatura no colégio. No entanto, após a iniciação sexual, as mulheres tendem a se sentir menos satisfeitas com seu corpo – um fenômeno que não acontece com os homens, e que pode ou não ser resultado da superexposição das mulheres sexies na sociedade atual, mas que deve ser observado com uma maior atenção.

Mesmo notícias que a princípio poderiam ser inspiradoras, como o fato de Helen Mirren, uma atriz britânica de 66 anos ter sido escolhida como “Corpo do Ano”, derrotando mulheres mais jovens como Jennifer Lopez, deixam uma dúvida preocupante no ar. Por que uma atriz veterana e consagrada está competindo com modelos na casa dos 20 anos? No mundo de hoje, 70 anos não é idade suficiente para abandonar a preocupação com as rugas e 22 também não é muito jovem para começar a usar botox, a injeção antirrugas cuja popularidade vem crescendo entre as mulheres mais jovens.

Meninas de 9 anos levam brilho labial para a sala de aula na expectativa de parecerem mais velhas (a Meca das maquiagens para as meninas é a loja Forever 21). Aos 35,  elas terão crises de depressão por não terem as pernas de uma jovem de 13 anos, e quando chegarem à idade de Helen Mirren, terão passado mais de meio século se preocupando com sua aparência. Além de ser uma vida exaustiva, certamente diminui todas as outras conquistas das mulheres.

Será que colocar meninas de 10 anos no caminho da obsessão com a aparência, e não deixar que elas saiam dela até os 70 é realmente o que queremos? Os especialistas dizem que o segredo é manter as meninas longe das imagens sexualizadas da TV. E caso isso não seja possível, certamente há mais opções de modelos femininos na programação do que se imagina. Talvez o segredo seja menos Jersey Shore e mais figuras como a goleira estrela da seleção norte-americana de futebol, Hope Solo. E essa dica também vale para as mulheres adultas.

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