Uma nova teoria sobre a postura ereta

As grandes pradarias africanas são uma das formações mais famosas do continente. Também são consideradas por muitos como cruciais para a evolução humana. Essa escola de pensamento defende que as pessoas andam sobre duas pernas porque seus ancestrais conseguiam dessa maneira enxergar mais longe em uma planície. Primatas da floresta não precisam ser bípedes, prossegue o argumento, porque as árvores já limitam seu campo de visão.

Em termos de histórias limitadas, esta é perfeitamente plausível, mas alguns vão mais longe e argumentam que a transição se deu quando as savanas em si passaram a existir, substituindo a floresta preexistente e forçando ancestrais humanos a se adaptarem ou perecerem. Evidências fósseis sugerem que a posição ereta da humanidade começou a evoluir entre 6 milhões e 4 milhões de anos atrás. Então a pergunta é: esse fato coincidiu com a formação da savana? Um estudo no periódico Geology, por Sarah Feakins, da Universidade do Sul da Califórnia, sugere que não.

A dra. Feakins estudou núcleos de sedimentos do Golfo de Áden, um lugar em que ventos oceânicos depositam detritos de uma parte substancial do leste do continente africano. Nesta região ela descreveu moléculas de plantas que datam 1 milhão a 12 milhões de anos. Tais moléculas contêm carbono, e átomos de carbono ocorrem em diversos isótopos, cujas proporções revelam sua história.

Para surpresa dela, as savanas parecem ter estado lá mesmo há 12 milhões de anos. A dra. Feakins mostrou que o lar da humanidade ancestral no leste da África nunca contou com florestas densas, então a ideia de pessoas sendo forçadas a andar com a postura ereta devido ao desaparecimento das florestas está errada.

Talvez tenha se tratado mais de atração do que de impulso – um nicho ecológico preexistente, embora vazio, implorando para ser ocupado por uma espécie empreendedora que pudesse fazer a transição.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Deixe um comentário