Uma nova bolha é possível? Esta é a pergunta que pecorre os gabinetes de acadêmicos e analistas econômicos internacionais

Fonte: acionista.com.br
Esta pergunta percorre gabinetes de acadêmicos e analistas econômicos internacionais preocupados com os efeitos negativos decorrentes das medidas saneadoras da crise financeira mundial implementadas, especialmente, pelos EE.UU. e países da zona do Euro.
Um dos expoentes da análise econômica americana, o professor da Universidade de Nova York, Nouriel Roubini, que antecipou o problema dos créditos imobiliários sub-prime, em recente artigo publicado no “Financial Times”, responde a esta pergunta afirmativamente. Os preços dos ativos de alto risco vêm subindo demais, cedo demais e rápido demais em comparação com fundamentos da economia, explica. Enquanto as economias americana e global iniciaram uma recuperação modesta, desde março os preços dos ativos vêm subindo vertiginosamente, numa alta grande e sincronizada, certamente alavancada pela onda de liquidez decorrentes da taxa de juros a quase zero e das condições monetárias flexíveis adotadas. O agravante, segundo seu artigo, e fator mais importante que alimenta a bolha de ativos é a fraqueza do dólar americano, movida pelo excepcional “carry trades”, operação que possibilita os investidores tomar empréstimos a juros muito baixos, como os praticados hoje no mercado americano, e aplicar esses recursos em outros ativos, inclusive nos mercados emergentes. Os investidores que fazem tais operações estão na verdade contraindo empréstimos a juros negativos de até 20%, considerada a depreciação do dólar, para investir em ativos globais de alto risco que estão subindo devido ao excesso de liquidez e a um “carry trade” maciço. A política americana insensata, segundo Roubini, alimenta o “carry trade” e obriga outros países a adotar a mesma política monetária.
Com a dívida enorme, desemprego ainda em alta, consumidores cautelosos e empresas sem poder crescer o dólar americano vai perdendo força e tende a ser desprezado e substituído por outras moedas mais estáveis. A inexorável lei da oferta e da procura faz com que investidores cautelosos busquem ativos em moedas de economias emergentes como o rand da África do Sul, o dólar australiano e o valorizado real brasileiro. E esta enorme invasão de dólares nos mercados emergentes aprecia cada vez mais as moedas locais, desestabilizando o equilíbrio das respectivas balanças comerciais e afetando negativamente a economia real de setores econômicos importantes. Apesar da adoção de medidas controladoras na entrada de fluxos de capitais, como a introdução do imposto de 2% sobre a entrada de capitais no Brasil, os mercados emergentes não conseguem evitar a grande pressão de investimentos estrangeiros e a bolha do “carry trade” vai inflando. Caso as moedas locais parem de apreciar e se mantenham estáveis a flexibilização monetária doméstica decorrente alimentará a bolha nessas economias. Assim, como se vê, a bolha perfeitamente correlacionada de todas as classes de ativos globais cresce diariamente. Segundo o autor, um dia esta bolha vai estourar quer o dólar continue depreciando, quer venha se valorizar. Parece que o FED e as autoridades responsáveis pela política econômica não têm consciência da bolha monstro que criam. Quanto mais tempo permanecerem cegos, mais dolorosa será a queda.
Cabe às autoridades monetárias zelar pela manutenção da exuberância racional que o mercado brasileiro vive hoje, segundo o Ministro Mantega declarou em Londres na véspera da reunião dos ministros de Finança do G20, atentando para as perspectivas da economia global levantadas por Roubini e evitar, assim, que o previsto estouro da nova bolha, se acontecer, não anule os ganhos até aqui obtidos.
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