Tudo o que o Roberto Carlos gostaria de saber sobre o grupo JBS

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Empresa brasileira de capital aberto com um total de mais de 217 mil funcionários em cinco continentes – exceto África – a JBS se tornou a maior entre as maiores indústrias de alimentos de proteína animal no mundo com um faturamento estimado, em 2015, de R$ 163 bilhões e atuação empresarial em 22 países.

Fundada no longínquo ano de 1953, no estado de Goiás, pelo pequeno empresário José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, a empresa cresceu e, já neste milênio, graças a manobras que envolveram benesses do governo Lula e empréstimos suspeitos do BNDES, se transformou num gigante na produção e exportação de proteína animal.

Subvertendo a tese de que a empresa precisa crescer para depois tomar empréstimo bancário para expandir, com a JBS se deu exatamente o contrário: a empresa tomou muito dinheiro do BNDES em diversos financiamentos – de forma tão inédita quanto curiosa – para se tornar a maior do segmento fora do país, sem gerar receita ou um único emprego sequer em nosso território. Destaque-se que a liberação de um financiamento do BNDES demora, em média, nunca menos que oito meses. Para a JBS, a bufunfa chegou a sair em apenas 22 dias.

Com o envolvimento de seus principais executivos – os irmãos Wesley e Joesley, filhos de José Batista – nas mais escusas manobras de compra de políticos e corrupção jamais vistas no país, as ações e o prestígio da JBS desabaram da noite para o dia – e isso não é uma força de expressão. A operação “Carne Fraca” – ocorrida há pouco mais de dois meses – e a recente delação premiada de Joesley – que fez desabar o que restava de paciência com o governo Temer – desossaram a estrutura da empresa.

Imediatamente, começou no país – especialmente nas redes sociais – a busca para identificar quais são exatamente as marcas sob o guarda-chuva da JBS. O objetivo único e explícito de tanta curiosidade era boicotar toda a gama de produtos, numa tentativa cidadã de revide financeiro como forma de compensar o prejuízo político e de imagem que a empresa causou ao país ao fazer delação e especular financeiramente sobre ela.

Rei da Jovem Guarda processa irmãos Batista

Para atender a esta “demanda reprimida” – digamos assim – tivemos a ideia de levantar os segmentos e marcas sob o comando da grife JBS. Além de controlar marcas como a Friboi, Swift e Seara, consagradas no segmento de proteína animal, a JBS detém ainda os nomes fantasia Anglo, Angus, Bordon, Company, Do Chef, Excelsior, Frangosul, Lebon, Maturatta e Reserva Friboi. A gigante atua ainda setor de laticínios (Amélia, Carmelita, Danúbio, Doriana, Faixa Azul, Franciscano, Itambé, Leco, Mesa, Serrabella e Vigor). Tem ainda os produtos de limpeza (Assim, BioBriz, Brisa, Flora, Fluss, Lavarte e Minuano). O leitor talvez pisasse na JBS sem saber: são deles a marca Alpargatas – aquela das Sandálias Havaianas – a Dupé, o tênis Mizuno e a bota Sete Léguas. O azeite e o óleo de soja Carmelita, o inseticida MatInset e os sabonetes Albany, Francis, os fixadores capilares Karina, Kolene, Neutrox e Ox, a linha de colônias Phytoderm, o Canal Rural (emissora de TV) e a fábrica de celulose Eldorado pertencem aos irmãos Batista. O grupo controla também a Osklen – marca fashion criada por Oskar Metsavaht. Encerra a lista o Banco Original.

Não somente os desconhecidos das redes sociais nutrem um misto de desconfiança e antipatia pela JBS. O cantor Roberto Carlos também anda insatisfeito com os irmãos Batista. Ele busca na Justiça uma indenização de R$ 7,2 milhões porque a companhia rescindiu contrato com o Rei da Jovem Guarda que, em 2014, atuou como garoto propaganda da marca Friboi. A JBS alegou que Roberto – diferentemente de Tony Ramos – não deu o retorno comercial que dele se esperava. A pendenga tramita na 38ª vara cível de São Paulo.

Claudio Carneiro para Opinião&Notícia

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