Trate bem os ratos…

Somente um remédio de cada dez testados com sucesso em laboratórios acaba funcionando em pessoas. Uma razão óbvia é a de que ratos não são homens. Outra, contudo, pode ter a ver com o fato de que enquanto a pacientes humanos se concede toda forma de conforto, o mesmo não se aplica a suas ‘aproximações’ animais.

Ainda que à criatura favorita da medicina agrade temperaturas um pouco acima de 30° C, os laboratórios em geral as mantêm a 5 ou 10 graus abaixo. Isso não tem a intenção de torturar os bichanos, mas sim a de amansá-los, uma vez que eles podem ser inconcebivelmente agressivos em suas temperaturas favoritas. A desvanatagem é que eles têm que comer mais do que comeriam normalmente de modo a manter os seus corpos aquecidos. Isso lhes altera a fisiologia, o que por sua vez altera seu modo de metabolizar medicamentos, gerando resultados confusos.

Joseph Garner, da Stanford University, acha que a solução é reduzir a temperatura dos laboratórios, mas deixar com que os ratos lidem com a baixa tempetarura do mesmo modo que o fazem em seu habitat natural: não comendo menos, mas construindo ninhos. Entretanto, até agora ninguém sabe o quanto de material para construção dos ninhos é necessário para agradar aos ratos. Dr Garner e seus parceiros decidiram então descobrir. Eles acabam de divulgar seus resultados no periódico Public Library of Science.

Dr. Garner e sua equipe permitiram a cada um dos ratos, 36 machos e várias fêmeas das três cepas geralmente usadas em testes, vagar livremente em duas gaiolas conectadas por um tubo estreito. Uma gaiola foi mantida em uma entre seis temperauras que iam de 20°C a 35°C. A outra foi mantida a 20° C, mas continha um estoque de até 10 gramas de papel cortado em pequenas faixas que os ratos poderiam usar para fazer um ninho. A ideia era checar se os animais prefeririam construir um ninho na gaiola mais fria ou se mudar para uma mais quente, possivelmente carregando material de construção do ninho consigo faixa a faixa.

Os pesquisadores descobriram que as preferências dos roedores variavam levemente entre as cepas, assim como entre os sexos (com as fêmeas preferindo temperaturas mais quentes, possivalmente graças à sua camada de gordura protetora mais fina), confirmando que não há apenas um conjunto de condições que satisfaça a todos os ratos. Todavia, em geral, com pouco material ao redor para construir ninhos, os animais laboriosamente carregavam faixas de papel para o ponto mais aquecido, uma ou duas por vez. Deixando apenas seis gramas de papel na gaiola mais fria fará com que muitos ratos prefiram resistir ao frio e fazer um ninho lá. Este parece um pequeno preço a pagar para teste medicinais melhores.

Fonte: votebrasil.com

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