Saúde  

Transplante de células já é arma contra diabete

Realizado no Hospital Albert Einstein, procedimento ainda é experimental
Médicos e pesquisadores brasileiros anunciaram a realização do primeiro transplante de células do pâncreas no país. O procedimento, apesar de ainda experimental, é encarado como hipótese de cura para pacientes diabéticos. As células são responsáveis pela produção de insulina, deficiente em quem sofre de diabete.
O que mais impressiona é a simplicidade do procedimento, que dura cerca de 35 minutos. Com uma injeção, as células – cujo agrupamento é conhecido como ilhotas de Langerhans – são direcionadas para o fígado do paciente. Segundo o coordenador do projeto, o endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz, mesmo sendo originárias do pâncreas, as células transplantadas se adaptam ao fígado e passam a produzir insulina.
O trabalho maior, no entanto, ocorre há mais de cinco anos no laboratório do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). É lá que 12 pesquisadores aprimoram o trabalho de isolamento das ilhotas, provenientes de pâncreas de cadáveres.
“O importante é que esse procedimento conseguiu estabelecer a ponte entre a pesquisa e a clínica médica”, diz Eliaschewitz.
As pesquisas têm principalmente o apoio da Fapesp.
O transplante foi realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, que bancou essa etapa do projeto. Apenas pouco mais de 100 procedimentos semelhantes já foram feitos em todo o mundo. Os médicos são cautelosos em dizer que esta foi apenas a primeira fase do procedimento, que não permite ainda declarar o sucesso do mesmo.
“Injetamos a primeira dose das ilhotas, ou seja, um terço do que ela precisa. Depois de 2 meses, se tudo correr bem, faremos a segunda”.
É importante salientar que a experiência é indicada apenas para pacientes cuja diabete é uma ameaça iminente à vida. Isso porque, como em qualquer transplante, é preciso tomar drogas imunupressoras, que impedem a rejeição das novas estruturas, mas têm sérios efeitos colaterais.
Segundo Eliaschewitz, ainda não é possível saber quando a técnica será testada em outro paciente. “É o primeiro passo de uma longa estrada”, diz o coordenador de pesquisa do Einstein, Carlos Alberto Moreira.
Pesquisas – Além do isolamento, o laboratório na USP pesquisa ainda uma maneira de encapsular as ilhotas para que elas não sofram rejeição quando transplantadas. Sem o risco dos imunupressores, o procedimento poderia ser feito em um número maior de pacientes diabéticos.

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