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The Economist: salário de políticos em São Paulo são de ‘envergonhar os sem-vergonha’

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, brincou que, quando seu mandato acabar no final ano, ele vai procurar emprego nas garagens das assembleias municipais da cidade. Matéria publicada na revista Economist nesta quinta-feira, 13, sob o título Envergonhando os sem-vergonha, mostra que, este mês, o poder público de São Paulo divulgou pela primeira vez os salários dos seus 2 mil funcionários. Metade das pessoas nomeadas – os paulistanos ficaram surpresos em saber – leva para casa mensalmente mais do que o presidente da assembleia, que ganha R$ 7.223.

Os gordos salários incluem outras profissões, como assistentes de estacionamento, assessores de imprensa e um enfermeiro responsável pelos trabalhadores municipais, que ganha R$ 18.300 por mês, 12 vezes o salário médio da mesma função no setor privado. Suas folhas de pagamento foram infladas por incrementos anuais e a prática — padrão no setor público do Brasil — de reivindicar uma generosa pensão pela permanência por mais de 50 anos no trabalho.

A publicação dos dados do setor público irritou os sindicatos, que alegam que a exposição coloca seus membros em risco de roubo ou sequestro. Os contribuintes brasileiros, sem dúvida, sentiram que o roubo, na verdade, foi contra eles. De acordo com a Economist, São Paulo é uma das cidades mais bem governadas do Brasil e mesmo assim, revelações chocantes como essas ou piores estão presentes no governo.

Elogios à Dilma

A revista diz que a presidente Dilma Rousseff está usando a Lei de Acesso à Informação, originalmente destinada a descobrir atrocidades durante a ditadura militar no Brasil, para expor os gordos salários de políticos e burocratas. Dilma prometeu que o governo federal vai colocar todos os nomes e salários de seus funcionários online a partir do final de junho. O Supremo Tribunal Federal e o Congresso concordaram em seguir o exemplo. Já os governos locais e setores do Judiciário, estão achando incômoda tanta transparência.

A Constituição determina que nenhum funcionário público pode ganhar mais que um juiz do STF, cujo salário atualmente é de R$26.700 por mês. Mas, de acordo com o site Congresso em Foco, um terço dos ministros e cerca de 4 mil funcionários federais ultrapassam o teto salarial. A revista cita alguns exemplos, como José Sarney, “um ex-presidente indistinto, mas influente”, que ganha R$ 62 mil por mês, somados o seu salário de senador e mais duas pensões acumuladas dos seus cargos anteriores como governador e juiz do seu estado natal, o Maranhão.

Outra regalia que rouba os contribuintes são os generosos benefícios. A maioria dos brasileiros ganha 13 salários por ano, mas os congressistas ganham 15: os dois adicionais são chamados de “subsídio de vestuário”. A folha de pagamento fica ainda maior por conta dos próprios políticos: cada senador pode nomear 50 funcionários e cada parlamentar 25. Somando tudo, o Congresso gasta R$ 6 milhões de reais por ano.

Muitos servidores públicos federais são, sem dúvida, pagos na mesma linha generosa daqueles que trabalham na Assembleia Legislativa de São Paulo. Alguns antigos ascensoristas de Brasília recebem R$ 17 mil por mês. Por lei, trabalhadores do setor público não podem ser demitidos ou ter cortes em seus pagamentos. De acordo com Raul Velloso, especialista em finanças públicas, a publicação dos salários dará munição ao governo para discutir negociações salariais. Os salários abusivos são um dos pontos altos dos gastos do governo, e o público terá uma boa noção para onde vai o seu dinheiro: “As pessoas poderão perceber que os serviços que estão recebendo poderiam ser muito mais baratos”, disse Velloso.

 

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