Tem um Cunha no meio do caminho!

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Por Claudio Schamis
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Cunha-1-300x186Não somos mais somente o país do Carnaval e futebol. Do futebol acho até que deixamos de ser.  Mas somos agora também o país da Propina, – com direito a “P” maiúsculo – do escândalo, do indizível, do incrível, do inesperado, do inusitado, do quase impossível de acontecer, mas que aqui acontece. Somos o país onde se disputa a permanência de um político que já se mostrou o que é, já vimos o que ele fez – e que nem foi no verão passado – que é tudo isso que você (talvez) tenha pensado; um pouco corrupto, meio corrupto, um tanto quanto corrupto, corrupto por inteiro, ladrão, diabólico, um tanto quanto burro – abrir conta no nome de parentes na Suíça – dissimulado e outras coisinhas mais.

Onde você já viu dois grupos que se “odeiam” disputando a mesma pessoa para um mal maior ou menor,dependendo de que lado você está? Mas o objeto disputado não é uma joia rara. Não é um diamante. E nem é carvão. É lixo mesmo. Estamos assistindo a uma disputa de quem fica com o lixo do seu lado, no que se tornou infelizmente em Lixo Oficial do nosso país: o Congresso Nacional.

Sim, a oposição fará tudo para deixar Cunha na presidência da Câmara dos Deputados com todo o poder que o cargo lhe dá, para que ele viabilize o pedido de impeachment contra a presidente Dilma. Ao mesmo tempo, o governo fará de tudo para que ele fique sentadinho onde está para que ele possa impedir o pedido de impeachment dessa mesma presidente. A batalha está aberta. E quem ganhar levará Cunha com ele.

Chegamos ao fundo do fundo do poço da lisura, que na verdade nunca existiu no país, mas que muitos ainda tinham uma reles esperança em encontrar algum resquício que fosse, e, ao menos com isso conseguir acalentar nossa alma.

Com tudo isso perde o país que se vê dependente de um grupo do lado de cá que quer uma coisa, e do grupo do lado de lá que quer outra coisa. Ambas as coisas deixam marcas, que talvez só possam ser sentidas somente mais pra frente e, onde mais uma vez quem arcará com o custo desse Brasil somos nós. Mais uma vez.

Parece que ninguém enxerga a verdade. Só se enxerga a verdade que eles apresentam e na qual acreditam piamente. A verdade política não é necessariamente a grande verdade. Mas o que é a verdade? Quem tem a verdade? Sei que não é hora nem momento de filosofar, mas prefiro ficar então com a verdade das palavras do poeta Caio Fernando de Abreu: “Não há uma verdade única. Há uma verdade por dia, ou pior ainda, mais complicado: uma verdade por hora, às vezes até mil verdades num minuto.”

E acho que é isso que temos, mil verdades num minuto.

No meio do caminho tem um Cunha!

Na última terça-feira, 3, foi instaurado um processo de cassação do mandato de Cunha no Conselho de Ética, e o nome do relator ainda será definido.

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Sim, pois o processo pode até ser arquivado e aí… por outro lado, o deputado Celso Russomanno, padrinho do possível relator do caso Cunha afirmou categoricamente ao jornal Folha de São Paulo que caso Faustino seja escolhido ele será correto. E Cunha continua dizendo que vai provar que é inocente.

Às vezes esses políticos falam com tanta convicção, com tanta certeza, que fico assustado. Não que eu acredite que pode não ser bem isso. Mas é que a coisa é colocada de uma maneira que os mais fracos acabam abraçando essa verdade como o ar que respiram. Aí o nosso trabalho fica muito mais difícil de ser feito.

Tenta falar que o Lula é um bandido!

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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