Tarso elogia os cotados para o seu lugar na Justiça

Fonte: vermelho.org.br

Um dia após anunciar a saída do governo para disputar as eleições ao governo do Rio Grande do Sul, o ministro da Justiça, Tarso Genro, conversou com o R7 sobre como enfrentou os temas polêmicos da sua gestão e o que espera da disputa eleitoral deste ano.
Ao falar sobre as discussões em torno do Programa de Direitos Humanos, Tarso defendeu o debate e afirmou que uma democracia que não trata de temas polêmicos é uma democracia “covarde”. Sobre a disputa no Rio Grande do Sul, o ministro disse que as condições desta vez são favoráveis e que as eleições no Sul são sempre “muito quentes, muito polarizadas”. Nas últimas duas corridas para o governo, o PT perdeu para o PMDB e depois para o PSDB.

Sobre os possíveis substitutos na Justiça, Tarso elogiou os dois cotados: o secretário-executivo da pasta, Luiz Paulo Barreto Teles, e o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). Tanto com um quanto com outro, segundo ele, a transição será tranquila. Tarso deixa o governo no próximo dia 10.

O ministro esteve nos estúdios da TV Record em Brasília nesta quarta-feira (3) para o programa Brasília Ao Vivo, com Christina Lemos, que também é colunista do portal. O programa vai ao ar hoje à meia noite na Record News. Parte da conversa com Tarso está no blog.

Leia a íntegra da entrevista:

R7: O sr. está a uma semana do fim da sua gestão no Ministério da Justiça, como avalia a sua administração?
Tarso Genro: A avaliação está retratada na pesquisa CNT/Sensus, que saiu anteontem, pela primeira vez se vê uma reação altamente positiva à segurança pública, no sentido que ela melhorou, que vai melhorar ainda mais, isso em um contexto em que aumentou em 20% o interesse da população pela segurança. Isso revel a que essa articulação federativa de colaboração entre União, Estados e municípios que o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania) instituiu começa a dar certo. Não é que já deu certo, mas que a transição já começou.

R7: E qual a expectativa para esta última semana?
Tarso: A agenda da última semana é muito forte, até esgotante. Temos o lançamento do Território da Paz, hoje em São Bernardo, com a presença do vice-presidente José Alencar e nós temos o fechamento de programas de trabalho e vamos, evidentemente, preparar a transição para o próximo ministro. Então é uma semana de muito trabalho e eu vou acompanhar o presidente na sua ida ao Rio Grande do Sul na quinta e sexta-feira. E no dia 10, às 9h30 da manhã nós temos a posse do novo ministro.

R7: E vai dar tempo de fazer essa transição, em uma semana?
Tarso: Vai dar tempo porque nós temos uma equipe muito afinada, uma coesão muito grande, o próprio secretário executivo [Luiz Paulo Barreto] que é uma das pessoas cotadas para assumir o ministério já está lá dentro. O José Eduardo Cardozo é uma pessoa que vem acompanhando a votação desde a lei que instituiu o Pronasci. Então é uma equipe que não tem fraturas, que não tem fragmentação, ela não terá dificuldades em fazer uma transição tranqüila.

R7: E em relação a questões espinhosas com as quais o sr. teve que lidar, como a do refúgio a Cesare Battisti [ex-ativista condenado na Itália]?
Tarso: Foram enfretamentos políticos, jurídicos e constitucionais de alto nível sobre a questão democrática no país. Não só sobre a questão do Battisti, mas sobre a questão da tortura, da memória, da busca dos corpos dos desaparecidos, sobre a interpretação da Lei da Anistia, que não se trata de revisão, quem usa essa expressão está usando mal. Acho que valeu a pena. Eu não posso dizer que tenha saído mal desses embates.

O Supremo Tribunal Federal tem uma decisão fundamental que é o eixo da nossa análise, que quem decide é o presidente, na questão do Battisti. Na questão da tortura a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) encampou esse processo e hoje tem uma ação tramitando no Supremo que vai determinar que o Supremo se posicione sobre essa questão.

Na questão dos desaparecidos, a Comissão da Memória e da Verdade está instituída pelo presidente. Agora as instabilidades, os debates que ocorreram, às vezes um pouco radicalizados, isso é natural em uma democracia jovem, uma democracia que está consolidando as suas posições. Mas eu não vi em nenhum momento alguém que tenha apelado para uma visão golpista, autoritária ou aventureira a respeito desses temas, portanto é uma vitória do país que esses debates tenham acontecido. Acho que uma democracia que não trata desses temas é uma democracia covarde, que não merece se afirmar.

R7: Qual a sua avaliação sobre a última pesquisa CNT/Sensus para as eleições presidenciais?
Tarso: A pesquisa demonstra que a candidatura da Dilma é muito competitiva, que há efetivamente transferência de votos, e que o prestígio do governo Lula vai ser um elemento fundamental na decisão do processo eleitoral. Eu não fiquei surpreso com a pesquisa, mas achei que esse resultado iria acontecer lá por junho, julho. É bom que tenha acontecido agora porque isso anima a nossa tropa.

R7: O sr. deixa o governo para enfrentar uma campanha ao governo do Rio Grande do Sul, Estado onde o PT tem uma história importante mas atualmente não está nem na Prefeitura de Porto Alegre nem no governo. O que o sr. espera dessa disputa?
Tarso:
As coisas na verdade se compensam, é verdade que nós não estamos nem no governo e nem na prefeitura de Porto Alegre, mas nós temos dois predicados importantíssimos para sermos competitivos na eleição e até ganharmos como queremos. Primeiro o número de prefeituras que temos na grande Porto Alegre, que é inédito na história do PT. E a grande Porto Alegre é um território político de alta importância para definir eleições e os prefeitos estão realizando um bom trabalho. E a segunda questão é que independentemente de realizar ou não alianças, o PT fez uma demonstração de maturidade política e propôs um arco de alianças que desarmou os nossos adversários, porque demonstrou que o PT está aberto para governar com forças políticas de uma maneira plural. Então as condições são favoráveis. No Rio Grande do Sul as eleições são sempre muito polarizadas, muito quentes, mas tenho certeza que teremos uma eleição de alto nível, pelo menos pelos candidatos que estão se apresentando nesse pleito.

Fonte: R7

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