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Suspeita de financiar esquema de lavagem de dinheiro deflagrado pela PF recebeu R$ 43,1 mi do governo

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Marina Dutra –  Contas Abertas


Jaraguá-300x163A Jaraguá Equipamentos Industriais LTDA recebeu R$ 43,1 milhões do governo federal entre 2009 e 2014, de acordo com levantamento realizado pelo Contas Abertas. A empresa é suspeita de financiar esquema operado pelo doleiro Alberto Youssef para distribuição de dinheiro a políticos e partidos da base aliada do governo.

Os repasses são referentes à reconstrução da plataforma de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS), em Alcântara, no Maranhão. Coincidentemente, a empresa doou R$ 3 milhões ao diretório nacional dos Partido dos Trabalhadores (PT) durante a campanha eleitoral de 2010, ano em que a Jaraguá recebeu mais da metade (R$ 23,2 milhões) dos recursos previstos no contrato. Em 2011 e 2012, a empresa doou mais R$ 2 milhões ao partido, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Veja tabela

A empresa, líder do consórcio que venceu a licitação, recebeu cerca de R$ 5,3 milhões em 2009, R$ 6 milhões em 2011, R$ 1,2 milhões em 2012, R$ 1,3 milhões em 2013 e R$ 4,4 milhões até o dia 8 de abril deste ano. Há suspeita de que os recursos viriam de contratos superfaturados ou aditivos e eram lavados na forma de doações legais. Os valores não incluem repasses feitos por estatais, estados e municípios.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), responsável pelo repasse dos recursos à Jaraguá, afirmou ao Correio Braziliense que o contrato para reconstrução da plataforma seguiu todos os trâmites legais de uma licitação pública.

A Jaraguá foi contratada pela Petrobras para a obra da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, no valor de R$ 1,2 bilhão. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, ela é uma das nove empresas fornecedoras da estatal e depositou R$ 34,7 milhões na conta da MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef.

Youssef foi preso na operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular organização que tinha como objetivo a lavagem de dinheiro em seis estados e no Distrito Federal.

Segundo a PF, o grupo investigado, “além de envolver alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio no Brasil”, é responsável pela movimentação financeira e lavagem de ativos de diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas em crimes como o tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração e contrabando de pedras preciosas e desvio de recursos públicos.

A Finep afirmou ao Correio Braziliense que o contrato do governo federal com a Jaraguá não tem relação alguma com as denúncias de corrupção na Petrobras. A empresa tem matriz em Sorocaba (SP) e quatro filiais pelo país.

Confira as ordens bancárias emitidas para a empresa

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