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Suposta prisão de líder produz guerra de nervos EUA-Talibã

Fonte: vermelho.org.br

O jornal The New York Times e a agência Associated Press noticiaram nesta terça-feira (16) que os Estados Unidos capturaram, há dez dias, no Paquistão, o mulá (doutor na lei islâmica) Abdul Ghani Baradar, importante líder militar do Talibã. A organização afegã, que resiste desde 2001 à invasão do país pelo Pentágono, disse que a notícia é falsa, “mera propaganda”.

Mujahedins (combatentes) do Talibã
“Qualquer informação sobre a detenção do mulá Baradar é falsa e infundada. O mulá Baradar não está no Paquistão, está no Afeganistão, e comandando a guerra contra as tropas da Otan em Marja, distrito da província de Helmand”, disse o porta-voz talibã Qari Yusuf Ahmadi, citado pela agência de notícias Xinhua. “Publicar essa notícia prejudica a reputação do New York Times”, agregou.

O próprio jornal novaiorquino cita outro porta-voz Talibã, Zabiullah Mujahid, que nega a prisão. “Isso é apenas um boato espalhado pelos estrangeiros para desviar as atenções da ofensiva de Marja”, afirmou Mujahid. “Eles estão com grandes problemas em Marja. Na verdade não existe nada sobre a captura de Baradar. Ele está a salvo e livre, e está no Afeganistão”, sustentou o porta-voz.

The New York Times atribui a notícia da captura a “fontes do governo”, não identificadas. Diz que ela resultou de uma ação conjunta da CIA com os serviços de inteligência paquistaneses e que ocorreu há dez dias, em Karachi, a maior cidade do Paquistão (clique aqui para ver a matéria do NYT, em inglês).

Baradar é tido como o braço direito militar do mulá Mohammad Omar, fundador do Talibã. Conforme o NYT, ele estaria sendo interrogado pelos serviços de inteligência americanos e paquistaneses.

O jornal afirma que soube da notícia na quinta-feira passada (11), mas atrasou a publicação a pedido da Casa Branca, que argumentou que tornar a história publicada prejudicaria o esforço para conseguir informação. O NYT diz que “está publicando a notícia agora porque funcionários da Casa Branca reconheceram que a captura do mulá Baradar estava se tornando amplamente conhecida na região”.

Caso a notícia se confirme, Baradar seria o mais importante chefe talibã capturado deesde a invasão do Afeganistão pelo governo de George W. Bush, em outubro de 2001. Ele chefia o conselho militar do grupo e foi escolhido para o cargo depois da morte, em 2006, do chefe militar mulá Akhtar Mohammed Usmani. Antes da invasão, era vice-ministro da Defesa do Afeganistão.

A Afghan Islamic Press divulgou em dezembro passado uma longa entrevista com o líder talibã. Baradar faz ali um balanço dos “triunfos e vitórias dos mujahedins d[combatentes] dp Emirado Islâmico do Afeganistão”. Afirma que em 2009 “os mujahedins não só enfrentaram as grandes operações militares das forças agressoras e as forçaram a recuar, mas também libertaram vastas áreas” (clique aqui para ver a íntegra, em inglês).

Karachi, a maior cidade do Paquistão, com 15,5 milhões de habitantes, é constantemente citada como possível esconderijo de comandantes talibãs. A cidade tem uma grande população de pashtuns, o grupo étnico de maior parte dos talibãs, mas está no mar Arábico e bem longe da fronteira afegã.

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