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Suplicy quer explicações de general contrário aos gays e OAB critica

Por Renata Camargo – congressoemfoco.com.br

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse nesta quinta-feira (4) que irá encaminhar um requerimento solicitando uma nova audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para ouvir o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado ao Superior Tribunal Militar (STM). Durante a sabatina realizada ontem (3) na CCJ, Cerqueira Filho disse que o “desvio de comportamento” não é tolerado nas Forças Armadas.

“Se ele é assim, é melhor procurar outro ramo de atividade, pois há uma objeção para esta escolha e comportamento sexual. A maior parte dos exércitos, no mundo inteiro, não admite esse tipo de orientação. Até porque isso coloca dificuldades para a tropa obedecer um indivíduo com esses atributos”, declarou o general.

Militar gay deve procurar outro ramo, diz general

“Como a Constituição tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, sem preconceito de raça, cor ou idade, quero sugerir que ele possa de novo comparecer à CCJ para expressar que não está contrariando a Constituição. Antes de votar em plenário, esse assunto tem que ser melhor esclarecido”, disse Suplicy.

O general Raymundo Nonato e o almirante Luiz Pinto tiveram seus nomes aprovados na CCJ para compor o Superior Tribunal Militar. A assessoria do presidente da comissão, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), informa que não será possível uma nova oitiva na CCJ, pois os nomes dos indicados ainda devem passar pelo plenário.

As declarações do general suscitaram reação tardia de senadores. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou nota nesta quinta-feira na qual condena a postura do militar. O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, disse que “é lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras”

OAB critica general contrário a gays no Exército

O novo presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, classificou como “lamentáveis” as declarações do general Raymundo Nonato de Cerqueiro Filho, indicado a vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), contra a presença de homossexuais nas Forças Armadas. “A defesa do país tem que ser feita por homens e mulheres preparados, adestrados e treinados para este fim, independente da opção sexual de cada um”, disse Ophir.

Durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CC) do Senado, o general disse ontem que não há espaço para homossexuais no meio militar e que os militares gays deferiam deixar a farda e procurar outro “ramo”. “É lamentável que este tipo de discriminação ainda continue existindo nos dias de hoje nas Forças Armadas brasileiras”, criticou o presidente da OAB. Ophir destacou que não é a orientação sexual que determina a conduta de um militar, mas a sua capacidade e a sua disciplina.

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