Steve Jobs: um modelo de gestão a não copiar

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Steve Jobs é considerado o maior gênio que o mundo já viu e o melhor CEO desta geração. No entanto, ele também é o mesmo homem acusado de gritar com sua equipe por 30 minutos seguidos, interromper a hora de refeição de seus funcionários, criticar severamente anfitriões e equipes de restaurantes, estacionar em vagas para deficientes, afirmar que pessoas ligadas a direitos humanos têm mentalidade medíocre e dizer o quanto sua equipe é terrível.

Chefes sempre foram vistos como pessoas autoritárias, mas nos últimos anos parece que ser um tirano se tornou uma característica almejada. Isso não surpreende. Walter Isaacson, autor da biografia de Jobs, não criou em sua obra apenas um best-seller, mas também um manual para todos aqueles que buscam um “passe livre” para seus ataques de raiva.

Junto aos relatos do comportamento fervoroso de Jobs e sua ânsia por colocar as pessoas para baixo, Isaacson ressalta que aqueles que não se deixaram abater se tornaram mais fortes e que os funcionários que mais sofreram com Jobs acabaram realizando coisas que nunca sonharam serem possíveis graças ao tratamento duro que receberam. Em algum ponto, o Vale do Silício concluiu que a conexão à internet é mais importante do que a conexão humana. Afinal, se funcionou para um gênio como Jobs, não pode ser tão ruim.

Entretanto, pode. Embora esse tipo de gestão funcione em curto prazo, os funcionários não funcionam bem trabalhando por longo período para um chefe narcisista e tirano. A própria biografia de Jobs afirma que muitos de seus funcionários foram levados ao esgotamento. Além disso, um chefe como Jobs corre o risco de perder talentos excepcionais que pedem demissão ou se recusam a trabalhar para ele por conta de seu temperamento.

Novos estudos apontam que uma liderança extremamente crítica gera funcionários desmotivados e discussões no ambiente de trabalho. Além disso, leva a sérios problemas de saúde como hipertensão depressão, sobrepeso, abuso de substâncias e até mesmo morte prematura.

A questão é simples: quanto mais a pessoa se sente mal sobre ela mesma, menos decisões boas ela consegue tomar para aproveitar ao máximo seu potencial. Fazer com que seus funcionários se sintam terríveis não é somente uma ferramenta de gestão ineficaz, mas também preguiçosa. Não é necessária nenhuma habilidade especial para gritar com alguém. Em contraponto, liderar uma equipe com gentileza, dignidade e postura requer empenho e maturidade, duas características não tão comuns na maioria das pessoas.

 

Fonte: Opinião&Notícia

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