Brasil  

“Sou feliz sendo prostituta” e a oficialização do “Bolsa Prostituição”

Por Claudio Schamis

É isso mesmo. Tem muita gente sendo feliz se prostituindo e nem estou falando nas prostitutas que você já ouviu falar. Falo de outras e outros, muito mais poderosos e perigosos. Mas calma que eu explico. E aproveita que eu não cobro por hora.

A prostituição é uma das profissões mais antigas da nossa história. Ela vem lá de trás (e aqui não há trocadilho nenhum). Até Max Weber – isso para termos uma ideia de quão antigo isso é –, sociólogo, economista, reconheceu como tal a do mago e do sacerdote. Mas não vou entrar agora pela sociologia de Weber. Isso foi só para introduzir (novamente sem trocadilhos) a questão principal. É possível ser feliz se prostituindo? Claro que sim, principalmente se você se prostitui em Brasília.

E o episódio envolvendo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha e o diretor do departamento responsável pela peça da campanha feita para comemorar o “Dia Internacional das Prostitutas”, Dirceu Greco, que foi demitido pelo cartaz feito “Sou feliz sendo prostituta” só fez acender a luz. É claro que aquele blá, blá, blá, de que o texto não atendia o foco da campanha que era a saúde dessas profissionais, de que a pasta não aprovou a campanha, não vai me fazer perder o foco. Se o cara fez errado, demite, dá uma advertência, mas isso não pode ser usado para acobertar ou para desviar a nossa atenção de que a prostituição está limpando os cofres públicos, fazendo desaparecer creches, escolas, e acabando com a Saúde da população. Crer que tenha sido a melhor atitude a ser tomada, quem sou eu para julgá-lo, ele é o chefe e demite quem ele quiser, mas…

Mas, se formos pensar, por que não aproveitar o momento “Sou feliz sendo prostituta” e fazer olhar com olhos clínicos para uma prostituição que acontece lá em Brasília? Ou vai me dizer que aquilo lá não é prostituição?

Uma faxina lá no Congresso, no Senado, no governo de forma geral iria bem, muito obrigado. Aproveitar a ocasião para banir as e os prostitutos que por lá andam. Se eles querem ser felizes se prostituindo tudo bem, opção sexual deles, opção de vida deles, mas ser feliz com o meu, o seu dinheiro não é uma coisa legal. É crime.

Ainda não entendeu? Vou tentar desenhar com palavras.

E aqui peço licença para citar novamente Weber, que acabou se envolvendo nessa coisa de prostituição. Mas tudo é uma questão de interpretação e bom senso.

Weber definiu três formas de dominação, e na prostituição há quem goste disso. A mais tradicional e conhecida de nós é a dominação tradicional, onde os dominados são totalmente dependentes e ganham seus cargos seja por privilégios ou concessões feitas por ele, o político prostituto. O ordenamento é fixado pela tradição e sua violação constituiria um afronto à legitimidade da autoridade. Existem também a dominação carismática e a dominação legal.

Weber também fala na diferença de viver “para” e “da” política. Quem vive para a política seriam aqueles indivíduos que vemos ter um objetivo comum com os que votam nele, mas os políticos que vivem da política são os legítimos prostitutos de carteirinha e mandato que veem na atividade exercida apenas um meio de sobrevivência própria sem que seja levado em consideração qualquer ação ética, e sem se preocuparem em ser pessoas escrupulosas, e aqui parece que quanto menos melhor.

O escândalo do mensalão talvez tenha sido o marco, o ponto G da nossa história política de alerta quanto à prática milenar da prostituição aos olhos de quem quer enxergar. Já aviso quem ainda usa antolhos poderá não ter essa percepção.

Muitos acham ainda que isso não é prostituição, a própria presidente Dilma chama isso de “malfeitos”. Já Lula e os defensores do PT chamam isso de nada, pois para eles dinheiros desviados, compra de votos, dinheiros em cuecas e meias são apenas episódios isolados de uma libertinagem branca que de tão branca quase parece que nunca existiu.

Ou você vai me dizer que um político que rouba, desvia, que faz trocas não está se prostituindo? E o que é pior, ele ainda tem salário fixo caso o mês seja fraco. Ou seja, ele sempre sai com um na carteira.

Eu até arriscaria dizer que a notícia que já foi desmentida de que tinha sido aprovado no Senado a “Bolsa Prostituição”, pode não ser assim absurda, pois ela já existe, mas tem outro nome. É só uma questão de interpretação.

Já que concordamos que existem políticos prostitutos, como nomear então o salário fixo que ele ganha? Eu diria que é sim o seu “Bolsa Prostituição”.

E deve ser uma profissão muito bem remunerada, pois descobriu-se que Rosemary Noronha, a ex-chefe no escritório da Presidência de SP do governo Lula, que tinha passaporte diplomático, entrou em Portugal com Lula levando na mala diplomática – isso não daria em nenhuma cueca nem calcinha mesmo de couro – a singela quantia de 25 milhões de euros que foram depositados numa conta do Banco Espírito Santo. Amém.

Isso ninguém está noticiando, mas a alta cúpula do governo federal em Brasília já está sabendo. E há registros de tudo isso na alfândega de Portugal. Ninguém viu o dinheiro, pois a mala diplomática não precisa ser vistoriada, mas Rosemary, ao ser questionada, declarou o valor e foi até sugerido pelas autoridades portuguesas que fosse contratado um carro-forte para fazer o transporte.

Agora nem dá mais vontade de ser garçom do Senado, dá vontade mesmo é de se prostituir em Brasília.

A única coisa é Lula é prostituto ou é o cafetão de todos?

Salvem as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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