Sopa na veia e outros horrores recorrentes da enfermagem no Brasil

Em menos de uma semana, dois casos revoltantes de erros de enfermagem ocorridos em hospitais no Rio de Janeiro lançaram sérias dúvidas sobre a capacitação de enfermeiros no estado e a supervisão destes funcionários em hospitais. Em ambos os casos, o erro foi provocado pela administração de alimentos na veia de pacientes.

No primeiro episódio, no fim de setembro, a paciente Ilda Vitor Maciel, de 88 anos, morreu após uma técnica de enfermagem da Santa Casa de Misericórdia, em Barra Mansa, ter injetado sopa no cateter venoso da idosa ao invés de soro. O hospital insiste que a morte não tem relação com a troca de sondas, ocorrida 12 horas antes. O resultado da necropsia, que apontará a causa da morte, só ficará pronto daqui a um mês. Uma fiscalização no hospital realizada em agosto pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e pelo Ministério Público havia constatado que 36 pessoas exerciam ilegalmente a profissão de enfermeiro neste hospital.

Em ambos os casos, o erro poderia ter sido evitado se o atendimento à paciente estivesse sob a supervisão de um médico. Os hospitais afastaram as enfermeiras e estagiárias responsáveis pelas mortes, mas nada foi feito até agora para punir os hospitais por negligência.

A lista dos problemas de enfermagem no estado e no país é longa. Há déficit na formação de enfermeiros, falta de programa de educação permanente, dimensionamento de pessoal inadequado, carga horária excessiva, processos de trabalho mal projetados que não estabelecem os riscos, e por aí vai. Embora erros sempre irão ocorrer — são, afinal, inerentes à condição humana, especialmente em situações de emergência e muita pressão –, gestores devem ser responsabilizados pela falta de medidas de prevenção. Existem, por exemplo, sondas cujas conexões não permitem encaixe com outros dispositivos como cateteres intravenosos, sondas urinárias, cateteres de oxigênio etc. Ainda não se sabe se nos hospitais onde os erros ocorreram, as sondas nasogástricas e os cateteres venosos são diferenciados de alguma maneira, com cores ou formatos distintos, por exemplo. Seria um começo.

Apesar de chocantes, a questão é que estes casos ocorrem com relativa frequência, embora sejam facilmente evitáveis.  Sindicâncias são abertas para esclarecer ocorridos e enfermeiras e estagiárias são afastadas de suas funções, mas a direção dos hospitais raramente é punida com o mesmo rigor. É importante que não só os familiares de vítimas de erros médicos grosseiros se revoltem para que isso não aconteça com outras pessoas.

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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Um comentário para “Sopa na veia e outros horrores recorrentes da enfermagem no Brasil”

  1. ? Luiz Cabral disse:

    Absurdos na área da saúde vem se repetindo e acende a luz vermelha para a formação destes profissionais. Será que os cursos são apenas os famosos “PPs” pagou , passou ?
    Até quando teremos estas notícias nos jornais ?