Brasil  

Sergio Guerra diz que governo só respeita direitos humanos “de esquerda”

Por Camila Souza Ramos – revistaforum.com.br

Entre as diferenças mais latentes entre PT e PSDB estão a política de proximidade com outros países proposta pelos dois partidos e o entendimento sobre direitos humanos. Esses pelo menos foram os maiores pomo da discórdia que os senadores Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, e José Eduardo Dutra, presidente do PT, demonstraram em debate realizado ontem, 11, no auditório do jornal O Estado de S. Paulo. O tucano criticou a aproximação que ele classificou como “umbilical” com países como Venezuela e Cuba, que são acusados de violação de direitos humanos e defendeu que governo também respeite os direitos humanos “de direita”.
 
 “Há a noção de que os direitos humanos são divididos entre os de direita e de esquerda. Os de esquerda são respeitados, os de direita são considerados. Mas o governo atual tem quebrado alguns elementos centrais dessa tradição brasileira. Vai a Cuba e não vê desrespeito aos direitos humanos”, diz, lembrando de episódio em que o presidente Lula comparou a prisão de presos políticos cubanos a presos brasileiros. Guerra também atacou a aproximação com Hugo Chávez e disse que o Brasil “exagerou” em Honduras ao “botar o cara lá dentro da embaixada”. “Tem uma Constituição lá e o Brasil não respeitou essa Constituição”, atacou.
 
 Dutra, porém, lembra que durante o governo de Fernando Henrique Cardoso nunca houve pronunciamento a respeito da violação de direitos humanos em Cuba e lembrou que a presidência recebeu Alberto Fujimori e não viu problemas na época com isso. Fujimori foi responsável pelo genocídio que acabou com a vida de 52 presos políticos durante o regime autoritário peruano.
 
 A aproximação com países latino-americanos como Bolívia, Equador e Venezuela é exaltada pelos petistas como parte de uma aliança estratégica para o fortalecimento dos vínculos políticos e econômicos da região. “No início do nosso governo dizia-se que se não entrássemos na Alca seria uma tragédia para o Brasil, que qualquer caminho que traçássemos fora da liderança dos Estados Unidos nos traria problemas. Hoje a história da Alca foi sepultada”, responde Dutra. Ele diz que sem uma política de aproximação regional, concretizada no Mercosul, o país teria continuado a exportar somente para a União Europeia, Estados Unidos e Japão.
 
 Guerra, por sua vez, desdenhou da atual função do Mercosul e disse que a associação deve efetivar o livre-comércio, e “não pode ser um ambiente de discussões político-ideológicas”. Há três semanas, o José Serra disse a empresários que pretendia acabar com a participação do Brasil no bloco. No início da semana seguinte, voltou atrás e defendeu que o bloco passe por uma reforma.
 
 Ataque ao PNDH
 “Eles (PT) fizeram a Carta aos Brasileiros, agora fazem o PNDH (Plano Nacional de Direitos Humanos), que é a contramão daquela carta. A ministra [Dilma Rousseff] se escondeu. Nós estamos na nossa linha, não saímos dela, e queremos saudar o PT quando estiver na linha certa”, disse o senador Guerra. As principais críticas da oposição ao plano é a instituição do controle social da mídia – que os tucanos entendem como uma medida de censura à imprensa –, a formação de uma comissão para julgar as liminares de reintegração de posse e a criação de uma Comissão da Verdade para julgar os casos de violação de direitos humanos na época da ditadura militar.
 
 A linha certa, para Dutra, foi entender o plano como construção popular, mas levantou ressalvas com relação ao seu conteúdo. “Se colocou o resultado das conferências que foram populares como se fosse posição de governo”, defendeu-se. “A polêmica frase ‘controle social da mídia’ não está nas diretrizes do PT e tem que ser banida da forma como é colocada. Se a intenção não era essa (cercear liberdade de expressão), remove essa expressão”, afirmou. Dutra também defendeu, como já foi feito pelo próprio governo federal, a retirada de outros pontos polêmicos, como a legalização do aborto. “O nosso partido tem história de defesa intransigente da liberdade de imprensa e que continuará não só no partido como no governo”, completou.

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