Senadores já começam a disputa de poder na Casa

Fonte: votebrasil.com

Com bancadas menores, os dois principais partidos de oposição não terão peso político nem critério proporcional para barganhar permanência em postos estratégicos.

Brasília – A ampliação das bancadas do PT e do PMDB no Senado terá influência direta na arrumação das forças partidárias na Casa. Além de perder grandes caciques, o PSDB e o DEM perderão importantes nichos de poder na Casa. Com bancadas menores, os dois principais partidos de oposição não terão peso político nem critério proporcional para barganhar permanência em postos estratégicos.

A primeira secretaria, que tradicionalmente fica com o DEM, é cobiçada pelo PMDB no próximo ano. “Na questão da primeira secretaria, o DEM não tem mais condições de ocupar esse cargo, que sempre ocupou. Nas comissões também muda bastante”, observa o senador reeleito Valdir Raupp (PMDB-RO).

A presidência da Comissão de Relações Exteriores, que ficou com o PSDB depois de muita briga, pode ir para o PTB de Fernando Collor de Mello. O senador voltará para o Senado depois de perder a disputa pelo governo de Alagoas e pode ser premiado com a presidência da comissão que sempre almejou.

Exceção na desgastada bancada do PSDB, ao ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves é previsto tratamento especial. Senadores apontam Aécio como possível presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no próximo ano.

O mineiro também é a aposta para liderar o PSDB, cargo atualmente exercido por Arhur Virgílio (AM), um dos que não conseguiram renovar a vaga. Reeleito como o senador mais votado do Pará, Flexa Ribeiro (PSDB) afirma que o critério da proporcionalidade tira muitos postos importantes das siglas que diminuíram, mas aposta nos acordos internos para contornar as perdas.

“Por acordo tudo é possível. Se o Serra vencer a eleição, podemos até ter Aécio presidente do Senado, em acordo com o PMDB.” A desidratação do DEM compromete a permanência do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) à frente da CCJ. Mas ele pode ser premiado com o cargo de corregedor do Senado. O posto sempre foi exercido por Romeu Tuma (PTB-SP), mas o senador não retornará à Casa em 2011.

Troca

Candidatos que trocaram o Salão Azul pelo Verde chegarão à Câmara com status de alto clero. Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Sérgio Guerra (PSDB-PE) lideram a lista dos mais influentes da bancada de oposição que se formará no próximo ano.

Eleito como o mais votado do Rio, o ex-governador Anthony Garotinho (PR) é cotado para se tornar uma espécie de líder do baixo clero. A ala petista recebe reforço de dois nomes de força em Pernambuco e Rio de Janeiro: João Paulo (PT-PE) e Alessandro Molon (PT-RJ).

O petista fluminense – a exemplo do novato Reguffe (PDT-DF) e Chico Alencar (PSOL-RJ) – construiu a carreira política como defensor da bandeira da ética na administração pública. João Paulo, por sua vez, pode ser opção como liderança petista.

“Tenho simpatia pelo nome de (Cândido) Vaccarezza para a Presidência da Câmara. Espero ter uma participação importante. Nós ainda não conversamos sobre isso”, afirma João Paulo.

O perfil do novo Parlamento mostra que o número de deputados com curso superior caiu dos atuais 413 para 401. Dois eleitos declararam ter o ensino fundamental incompleto, um deles é o campeão de votos Tiririca. O número de médicos e advogados eleitos diminuiu dos atuais 86 para 48 profissionais em 2011.

Os empresários, no entanto, terão 36 cadeiras a mais no próximo ano. A idade média dos deputados é de 50 anos. O parlamentar mais jovem é Hugo Motta (PMDB-PB) , com 21 anos, e o mais idoso Vicente Arruda (PR-CE), com 81 anos.

Josie Jerônimo

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