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Seleção da Argélia teria sido dopada sem saber?

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Oito ex-jogadores dos anos 80 tiveram filhos deficientes. Agora, exigem explicações.

Mais de 25 anos depois, jogadores argelinos que participaram das copas do mundo de 1982 e 1986 pedem uma investigação que poderá causar polêmica. Diversos atletas da seleção da Argélia que jogaram entre este período desconfiam de uma ligação ente os remédios consumidos pela delegação e a deficiência de seus filhos. Nada menos do que oito ex-jogadores tiveram crianças com alguma deficiência física.

“Decidimos trazer o caso ao público assim que descobrimos que oito de nossos ex-selecionáveis tiveram filhos deficientes”, declarou na quarta, 16, o antigo defensor Mohamed Chaib, pai de três filhas deficientes. “Temos sérias dúvidas de que os efeitos dos remédios que consumimos no estágio de preparação para as competições. Queremos apenas a verdade”.

Djamel Menad, um dos representantes da seleção argelina na Copa do México, em 1986, é pai de uma menina que sofre de agenesia do corpo caloso, cujos sintomas envolvem fraqueza muscular e crises de epilepsia.”Desde que descobri que não era o único, comecei a me fazer perguntas”, conta ele. Para o antigo artilheiro, o fato de que vários jogadores da mesma geração tenham filhos deficientes não pode ser uma “coincidência”.

O antigo meio-de campo Mohamed Kaci Saïd, pai de uma menina deficiente de 26 anos, pede a abertura de uma investigação. “Não estou dizendo que éramos ratos de laboratório dos médicos russos (…) e que éramos dopados sem saber. Mas a dúvida vai persistir enquanto a verdade não seja conhecida”, afirma.

A hipótese defendida pelos ex-jogadores é refutada por Ali Fergani, antigo capitão da seleção da Argélia na Copa do Mundo de 1982. Para ele, “o número de jogadores com filhos deficientes é mínimo comparado com o número total de jogadores selecionados entre 1980 e 1990. Ali Fergani também desmente a presença de russos na equipe médica. “Todos médicos eram argelinos e não tomávamos remédios, a não ser vitamina C”.

O treinador da Argélia no mundial do México, Rabah Saâdane, usa o mesmo argumento. “Quando eu dirigia a seleção, de 1984 a 1986, não havia médicos europeus entre nós”, disse à imprensa argelina. O antigo treinador admite, contudo, que entre 1981 e 1988, houve um treinador e um cinesioterapeuta russos. Um treinador da ex-Iugoslávia, Zdravgo Rajkov, também dirigiu a equipe em 1980, As autoridades argelinas ainda não comentaram o assunto.

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