Saúde  

Seis mitos sobre o cérebro

Um dos órgãos mais importantes e mais misteriosos do corpo humano. Assim podemos definir o cérebro, que é estudado há centenas de anos e ainda continua cercado de mistérios, mitos e poucas verdades.

Sendo assim, vez ou outra aparecem “verdades”, que acabam sendo desmascaradas anos mais tardes, com estudos mais completos para entender melhor o funcionamento do cérebro. Por isso, destacamos alguns mitos famosos, mas que já foram desvendados:

1 – Apenas 10% do cérebro é utilizado

Pixabay

Um mito antigo, que dizia que o ser humano usa apenas 10% da sua capacidade cerebral, já foi desvendado inúmeras vezes e de maneiras diferentes. Cientistas podem comprovar esse fato apenas com uma ressonância magnética. Além disso, tarefas simples como falar já exigem maior uso do cérebro do que este percentual.

Não se sabe ao certo quando e onde o mito surgiu, mas acredita-se que pode estar relacionado ao estudo The Energies of Men, de 1908, escrito pelo psicólogo William James, que afirma que o ser humano usa apenas uma pequena parte do cérebro.

Outra possibilidade está relacionada à falta de compreensão de estudos sobre a neurociência, que mostram que os neurônios da massa cinzenta, que são responsáveis pelo processamento do cérebro, são um a cada dez células cerebrais, enquanto as outras células, as gliais, oferecem apoio e nutrição aos neurônios.

2 – É possível aprender novas línguas dormindo

Flickr Anderson Pontes

Flickr Anderson Pontes

Diz a crença popular que se colocarmos um CD de inglês enquanto dormimos absorveremos o conteúdo durante o sono, facilitando o aprendizado do idioma. Porém, um estudo de Charles Simon e William Emmons, de 1956, não encontrou nada relacionado à possibilidade de aprender novos idiomas durante o sono.

Já em 2014, através do estudo de Thomas Schreiner e Björn Rasch foi provado que ensinar o vocabulário holandês ao acordar melhora um pouco a capacidade de memorizar as palavras.

3 – Mozart torna as crianças mais inteligentes

Flickr Wael Baqer Al Shakhs

Flickr Wael Baqer Al Shakhs

Em 1991, um estudo feito na Universidade da Califórnia afirmou que ouvir Mozart cerca de 10 minutos antes de uma atividade mental melhorava a habilidade visual específica. Porém, o baixo número de participantes na pesquisa – foram apenas 36 estudantes, e nenhuma criança – fez com que o estudo fosse contestado.

Já em 2010, através da análise de diversos estudos, foi comprovado que ouvir música ou outro tipo de conteúdo tem um impacto em curto prazo na capacidade de manipular formas mentalmente, mas não encontrou evidências de que afetaria o quociente de inteligência (QI) das pessoas.

4 – Pensar com o lado direito ou esquerdo do cérebro

Flickr cosassencillas

Flickr cosassencillas

Uma outra crença popular coloca em pauta o mito de que as pessoas pensam mais com o hemisfério esquerdo ou direito do cérebro, levando em conta os traços de sua personalidade. Entre estudantes, por exemplo, costuma-se dizer que aqueles mais ligados a disciplinas de exatas pensam com o lado esquerdo do cérebro, enquanto os mais inclinados a disciplinas de humanas pensam com o lado direito.

Porém, essa teoria também já foi desmitificada. Um idioma, por exemplo, é controlado mais pelo lado esquerdo do cérebro, mas a comunicação é guiada pelo lado direito. Ou seja, apenas em uma conversa ambos os lados são utilizados.

Divulgado na Plos One, um estudo da Universidade de Utah examinou cada par de 7.266 regiões do cérebro em mais de mil pessoas, enquanto realizavam pequenas tarefas. Porém, a pesquisa não encontrou evidências que indicassem que as pessoas estavam utilizando mais o lado esquerdo ou direito.

5 – O álcool mata células do cérebro

Flickr Nilton Viveiros

Flickr Nilton Viveiros

Não é incomum acordar com a cabeça doendo após ingerir grandes quantidades de álcool, mas isso não significa que são células cerebrais sendo destruídas. Em 1993, Grethe Jensen comparou neurônios entre pessoas que bebiam e que não bebiam álcool e não constatou grandes diferenças no número ou densidade das células.

Porém, apesar de não destruir as células, pesquisas apontam que o álcool pode, ainda assim, ter um impacto negativo no comportamento delas, alterando as ligações entre os neurônios e o cérebro. Ademais, um estudo publicado na revista Neuroscience revelou que a ingestão de quantidades moderadas de álcool altera a produção de novos neurônios no hipocampo.

6 – Dano cerebral é permanente

Flickr Dr. Curtis Cripe

Flickr Dr. Curtis Cripe

O cérebro tem um notável poder de cura que possibilita que uma lesão, dependendo das circunstâncias, local e da gravidade, se recupere completamente. Uma concussão, por exemplo, pode ser uma interrupção temporária das funções do cérebro, mas desde que não haja traumatismo posterior na cabeça, o cérebro pode se recuperar completamente.

Neuroplasticidade é um processo cerebral no qual o cérebro consegue redirecionar suas funções desativadas por condições sérias, como um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e permite que o cérebro também se adapte a lesões mais graves.

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