Segundo turno repleto de baixarias do começo ao fim

Telefonemas anônimos ligando Dilma a escândalos e jornal acusando mulher de Serra de praticar aborto reforçam artilharia dos candidatos à Presidência, apesar de promessas de campanha limpa.

As promessas de um fim de campanha sem baixarias, pelo menos por enquanto, não passam de mais um discurso vazio dos candidatos a presidente da República.

A artilharia das campanhas agora é um telefonema anônimo contra Dilma Rousseff (PT) e a distribuição de um jornal mensal evangélico que traz como manchete uma notícia sobre suposto aborto praticado pela mulher de José Serra (PSDB), Mônica Serra, quando estava no exílio com o marido.

Desde o fim da semana passada, eleitores de Minas Gerais começaram a receber telefonemas em suas residências que ligam a petista ao ex-deputado federal José Dirceu (PT), apontado como o mentor do mensalão – esquema de pagamento de propina a parlamentares em troca de aprovação de projetos de interesse do governo no Congresso Nacional –, e a Erenice Guerra, ex-assessora de Dilma no Ministério da Casa Civil, que teve o nome ligado ao nepotismo e denúncias de tráfico de influência.

“Se você pensa em votar na Dilma, você precisa saber de algumas coisas”, diz uma voz feminina, acrescentando que a candidata teria participado do “maior esquema” de corrupção da Casa Civil. Ao fim, a locutora diz que a petista alega não saber nada sobre o assunto. Os primeiros registros das ligações são de Porto Alegre, cidade para onde a ministra se mudou na década de 1970 e onde iniciou sua carreira política. Desde a semana passada, estendera-se para outros estados.

A coordenação nacional da campanha petista pediu investigação à Polícia Federal, ainda sem resposta. O presidente do PT em Minas Gerais, deputado federal Reginaldo Lopes, não tem dúvidas de que se trata de mais uma estratégia de “campanha de submundo e de mentiras” arquitetada pelos tucanos. Segundo Lopes, a mãe dele, que mora em São João del-Rei , foi uma das mineiras que recebeu o telefonema em casa. “Lamento que o nosso adversário faça uma campanha baseada na mentira e fofoca”, disse.

O secretário-geral nacional do PSDB, deputado federal Rodrigo de Castro, afirmou ontem desconhecer o teor da ligação e negou que ela tenha partido dos tucanos. A assessoria de imprensa de José Serra adotou discurso semelhante. De acordo com Reginaldo Lopes, neste segundo turno, a campanha optou por não usar o telemarketing, mas apenas corpo a corpo e distribuição de material propositivo pelos militantes dos partidos aliados.

No entanto, ontem à tarde, vários deles, vestidos com uma camisa vermelha com os dizeres “Minas na Presidência” e portando bandeiras e adesivos de Dilma, distribuíam, na Savassi, jornal que trazia duas páginas de matéria sobre o suposto aborto praticado por Mônica Serra enquanto estava no exílio ao lado do marido. A interrupção de gravidez tem sido um tema amplamente explorado neste segundo turno, especialmente depois de mensagens na internet que acusaram Dilma Roussef de ser favorável à prática.

O presidente do PSDB em Minas, deputado federal Nárcio Rodrigues, disse ter ficado sabendo do jornal pela reportagem e que tentaria obter um exemplar. “A campanha entrou em um nível de baixaria total. O desespero do PT evidencia que vão usar todas as armas para continuar no poder.”

Em manifestação na Praça Sete – ponto tradicional de Belo Horizonte –, simpatizantes das candidaturas do PT e do PSDB trocaram farpas durante a tarde. Em clima de torcida de futebol, os grupos se provocaram com frases de efeito. Petistas gritavam: “Ão, ão, ão, Serra é privatização”. Os tucanos respondiam: “Ôôô PT é só caô”.

Hora dos aliados e militantes

Com pouco tempo e agenda apertada dos candidatos a presidente da República e seus principais aliados, os militantes se tornarão a peça fundamental das campanhas nos últimos cinco dias antes das eleições. A partir de hoje, representantes dos 12 partidos que compõem a aliança encabeçada pelo PT de Dilma Rousseff, farão bandeiraços, carreatas e caminhadas por várias cidades de Minas Gerais. A estratégia dos tucanos é contar com o trabalho dos aliados a José Serra, uma vez que o senador eleito Aécio Neves – principal liderança do partido no estado – fará viagens por todo o país.

No horário de almoço, todos os dias, serão feitos bandeiraços pró-Dilma na Praça Sete. Hoje à noite, jovens ainda vão percorrer bares da capital mineira pedindo votos para a petista – estratégia para tentar reverter preferência que a faixa etária teria pelo tucano, segundo pesquisas internas da campanha. Para amanhã, está sendo organizada festa de aniversário para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que completa 65 anos, e dia nacional de mobilização. Haverá concentração nos centros comerciais e entrega de cartas nas igrejas.

No sábado, último dia em que a campanha é permitida pela legislação eleitoral, Dilma Rousseff virá a Belo Horizonte para caminhada que partirá da Praça da Liberdade. No mesmo momento, serão feitas carreatas por 13 rotas que atingirão os 34 municípios da região metropolitana.

Ontem, lideranças do PSDB na Região Metropolitana de Belo Horizonte se reuniram para decidir os rumos da última semana de campanha. A principal preocupação dos aliados de José Serra em Minas Gerais é com possível perda de força por causa da ausência de Aécio Neves, em viagem por outros estados brasileiros. Por isso, optaram por telemarketing em que o tucano pede votos para Serra neste segundo turno.

Na ligação, Aécio agradece ao eleitor o apoio que ele e Antonio Augusto Anastasia, governador reeleito, receberam no primeiro turno. E pede “licença” ao ouvinte para sugerir o voto em José Serra, lembrando que o número que deverá digitar nas urnas é o mesmo de Anastasia. O tucano encerra a campanha em Montes Claros, na Região Norte, onde, no primeiro turno, Serra teve a pior votação: 21,05% dos votos válidos.

Amanda Almeida /Isabella Souto
Fonte: votebrasil.com

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