Sarney diz que foi mal interpretado em discurso sobre mídia

Por Edson Sardinha – congressoemfoco.com.br
Um dia após dizer que a mídia se tornou “inimiga das instituições democráticas”, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou hoje (15) que foi mal interpretado. Em nota divulgada por sua assessoria, Sarney disse que não teve a intenção de fazer qualquer crítica aos meios de comunicação. Quis apenas fazer uma “apresentação teórica” sobre o “antagonismo do imediatismo da mídia eletrônica” e o “prazo dos mandatos parlamentares”.
“Era a este conflito que o senador José Sarney se referia, reportando a tese que se alastrou no mundo. Ao contrário do que alguns veículos de imprensa reproduziram, não havia no discurso do presidente nada além de uma apresentação teórica, nenhum desejo de contextualização ou dirigismo, mas o pressuposto de que a mídia brasileira vinha acompanhando o vigoroso debate internacional”, afirma a nota.
As declarações que motivaram a polêmica foram dadas por Sarney quando o senador discursava na sessão que homenageou o Dia Internacional da Democracia. Em seu discurso, o peemedebista afirmou que há uma contradição entre o papel do Parlamento e o dos veículos de comunicação.
“A tecnologia, hoje, levou os instrumentos de comunicação a tal nível que, a grande discussão que se trava é justamente esta: quem representa o povo? Diz a mídia: somos nós, e dizemos nós representantes do povo: somos nós. É dessa contradição que existe hoje, um contra o outro, que, de certo modo, a mídia passou a ser uma inimiga das instituições representativas”, declarou.
Sarney também disse, na oportunidade, que o Congresso está sujeito a mais críticas porque age “às claras”, enquanto os demais poderes tomam decisões “isoladas”.

“Ao contrário do que alguns veículos da imprensa repercutiram, o discurso do presidente se restringiu a apresentação teórica sobre o antagonismo do imediatismo da mídia eletrônica ao prazo dos mandatos parlamentares.

No Dia da Democracia (15 de setembro), o presidente do Senado, senador José Sarney, subiu à tribuna para prestar uma homenagem ao regime que voltou a vigorar no país desde 1985 e fazer um alerta: o sistema político-eleitoral brasileiro está exaurido, assim como acontece em democracias mais antigas mundo afora. É preciso que o Congresso Nacional assuma suas responsabilidades e promova a tão aguardada reforma política, introduzindo o Parlamento brasileiro no debate iniciado nos principais países da Europa desde a última década do século passado. A raiz da discussão sobre os rumos que a democracia tomará no mundo é a internet, a nova sociedade da comunicação, que, segundo estudiosos do tema, contrapõe o imediatismo da mídia eletrônica ao prazo dos mandatos parlamentares, tornando-os defasados, envelhecendo as bandeiras pelas quais foram eleitos. Era a este conflito que o senador José Sarney se referia, reportando a tese que se alastrou no mundo. Ao contrário do que alguns veículos de imprensa reproduziram, não havia no discurso do presidente nada além de uma apresentação teórica, nenhum desejo de contextualização ou dirigismo, mas o pressuposto de que a mídia brasileira vinha acompanhando o vigoroso debate internacional

Deixe um comentário