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Saída do comandante da PM do Rio é perda para a limpeza da corporação

Por Ricardo Setti – veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/

Num gesto raro entre ocupantes de cargos de confiança, o comandante-geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Mário Sérgio Duarte, pediu demissão do cargo diante do fato de um oficial por ele designado para o comando de um batalhão, o tenente-coronel Cáudio de Oliveira, ter sido indiciado como mandante do assassinato da juíza de Direito Patrícia Acioli, em Niterói, no dia 11 de agosto.

Gesto raro porque nada liga o coronel Mário Sérgio ao crime, mas o comandante da PM considerou necessária sua saída por declarar-se o “único” responsável por nomeações na corporação que dirigia.

Há interpretações que inidicam que o coronel foi para o sacrifício para preservar o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

Não tenham dúvidas, amigos do blog, que a saída do coronel significará uma perda para a PM do Rio de Janeiro, por seu empenho em limpar a corporação de maus elementos e pela grande franqueza com que comentava os defeitos e problemas da corporação, que pretendia corrigir.

Vejam as razões nos links que coloquei depois da notícia abaixo, do site do Estadão:

Comandante-geral da PM do Rio deixa o cargo

O comandante-geral da Polícia Militar (PM), coronel Mário Sérgio Duarte, pediu exoneração do cargo na quarta-feira, 27, requisição aceita pelo secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. Segundo nota da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro (SSPRJ), “o nome do novo comandante geral da PM será divulgado o mais breve possível”.

Em carta enviada a Beltrame, Duarte diz que deixa a função para “não deixar nenhum espaço para dúvidas quanto a minha responsabilidade no processo de escolha dos Comandantes, Chefes e Diretores da Corporação”. Ele explica que se refere ao “indiciamento do Tenente-Coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da Juíza Patrícia Acioli, e sua consequente prisão temporária”.

A nota da SSPRJ informa que “o ex-comandante Mário Sérgio reconheceu o equívoco e ciente do desgaste institucional decorrente de sua escolha, pediu, voluntariamente e em caráter irrevogável, para deixar o comando da PM”. Duarte está de licença médica em decorrência de uma cirurgia.

Confira a íntegra da carta enviada pelo coronel Mário Sérgio Duarte a Beltrame:

“Exmo Sr Secretário de Estado de Segurança José Mariano Benincá Beltrame

Dirijo-me à V. Exa para solicitar exoneração do cargo de Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O motivo de fazê-lo se fundamenta na necessidade de não deixar nenhum espaço para dúvidas quanto a minha responsabilidade no processo de escolha dos Comandantes, Chefes e Diretores da Corporação, preservando, de quaisquer acusações injustas, as pessoas que me confiaram a nobre missão que assumi comprometido com a honra, e agora deixo, norteando tal decisão neste mesmo imperativo de valor.

Sobre o caso particular que me impõe esta decisão, o indiciamento do Tenente Coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira no homicídio da Juíza Patrícia Acyoli (sic), e sua conseqüente prisão temporária, devo esclarecer à população do Estado do Rio de Janeiro que a escolha do seu nome, como o de cada um que comanda Unidades da PM, não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim.

O Rio de Janeiro, senhor Secretário, está em franco processo de recuperação de sua imagem como lugar de tranqüilidade pública e paz social não por acaso, mas, seguramente pela aplicação de um conjunto de ações norteadas pela clareza das idéias. O Estado, sua população, cada pessoa que por aqui transita em busca de paz e bem, devem continuar confiando nesta Política Pública que privilegia a vida, descontrói o ódio e reacende esperanças. Ao tempo que vos agradeço pela confiança depositada e o apoio nos momentos mais difíceis, solicito-vos que encaminhe este pedido ao Exmo Sr Governador, a quem também explicito meus eternos agradecimentos pela oportunidade e a honra que me concedeu ao nomear-me Comandante de minha amada Instituição. Deixo de fazê-lo pessoalmente por me encontrar hospitalizado, convalescendo de uma cirurgia.”

 

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