Rossi diz que Jucá Neto tentou “politizar” ao fazer denúncias de irregularidades na Conab

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse hoje (3) que o ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, tentou politizar as denúncias de irregularidades no órgão. Jucá Neto autorizou o pagamento irregular de R$ 8 milhões da Conab em favor de uma empresa que estaria em nome de “laranjas”. Ele ficou apenas 15 dias no cargo.

“Ele tenta transformar um caso estritamente administrativo, em que ele foi pego numa infração gravíssima, num caso político”, disse. “E envolve nomes de políticos importantes como se fosse uma questão política”, acrescentou. Rossi foi à Comissão de Agricultura da Câmara esclarecer denúncias feitas por Jucá Neto em entrevista à revista Veja. O ex-diretor disse que “a Conab é pior que o Dnit [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes]”, e que lhe foram oferecidas vantagens pelo ministro [Rossi] para ficar quieto [sobre irregularidades na Conab]”.

Oscar Jucá Neto é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). O ministro disse que Jucá, apesar de ter lamentado o fato, disse que iria respeitar as decisões tomadas por Rossi. “Romero Jucá teve uma postura absolutamente correta e íntegra”, disse. ” A indicação foi do seu irmão, Romero Jucá, mas, até em respeito a esse senador, posso testemunhar, e faço com muita convicção, a lisura com que ele tratou todo o episódio”, disse ao defender o líder governista.

O ministro disse que, informado da ilegalidade do ato, determinou ao presidente da Conab que suspendesse o pagamento. E obteve como resposta que a suspensão não poderia ocorrer porque o pagamento havia sido feito por meio de um depósito em juízo em benefício da empresa por causa de uma ação contra a Conab. “O débito existia, mas a tradição na Conab é que, se vai pagar, deve-se obter o respaldo da diretoria plena”, disse.

Além da anuência da diretoria, para a Conab fazer pagamentos, segundo o ministro, é preciso o aval da Advocacia-Geral da União e da autorização do próprio ministro. “Para pagamento, é preciso uma rubrica especial. Não tendo o dinheiro, o diretor Oscar Jucá Neto falou com os funcionários, que lembraram a ele que não poderia fazer o pagamento, que se tratava de um pagamento feito à revelia das normas e que não havia rubrica, não havia dinheiro para pagar”, explicou. “Ele mesmo entrou no orçamento, tirou o dinheiro de uma outra rubrica. Era um dinheiro com destinação precisa, não poderia ser usado para outros pagamentos”, completou.

Na entrevista, Jucá Neto faz também referência a um terreno da Conab em Brasília, leiloado por R$ 8 milhões e que valeria muito mais. O ministro explicou que a alegação é infundada. A Caixa Econômica Federal teria avaliado o terreno, que passou por uma concorrência pública. O ministro ainda colocou à disposição dos deputados todos os documentos sobre o processo de leilão do terreno. “Ele falou como se a diretoria da Conab tivesse vendido [o terreno] para quem quisesse. Não, as pessoas ganharam numa concorrência pública”, explicou.

Edição: Talita Cavalcante

 

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