Rombo de R$ 88 bilhões com corrupção pode virar R$ 10 bilhões no novo balanço

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timthO desafio técnico de quantificar o valor do prejuízo com corrupção no balanço da Petrobras — estimado em R$ 88,6 bilhões pela diretoria anterior –, parece ter sido superado, embora a solução esteja longe do ideal.

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Segundo apurou o jornal Valor, a solução encontrada pela estatal deve viabilizar a publicação de um balanço auditado, mas deixará para a Petrobras a difícil tarefa de explicar à opinião pública como o rombo de R$ 88,6 bilhões, estimado pela antiga diretoria e que caiu na boca do povo, pode virar algo entre R$ 10 bilhões e R$ 20 bilhões.

O governo ainda terá de convencer a opinião pública que esse rombo, bem menor do que os R$ 88 bilhões citados no balanço anterior, não se deve somente à corrupção, mas inclui também a queda no preço do petróleo, taxa de câmbio e outras desventuras.

Teste de ‘impairment’

A solução técnica encontrada pela empresa para contabilizar o superfaturamento de seus ativos no novo balanço funciona assim: ao invés de corrigir os lançamentos contábeis errados, contrato por contrato, para dar conta dos valores desviados por corrupção – um caminho considerado impraticável pela estatal – a saída será fazer a maior parte dos ajustes por meio de um teste conhecido como ‘impairment’, que checa se existe algum ativo superfaturado no balanço — seja por corrupção, mudança no preço do petróleo, taxa de câmbio, contratos malfeitos, ineficiência de obras etc –, e faz o ajuste usando uma taxa de desconto para calcular o valor real dos ativos da empresa. Quanto menor essa taxa, mais valem os ativos, e menor a baixa contábil no balanço.

A taxa usada por consultores externos no último balanço (que calculou o rombo em mais de R$ 88 bilhões), foi de 12% ao ano. A diretoria anterior não questionou a taxa usada, para evitar qualquer acusação de que estivesse tentando interferir com o levantamento independente. Ao contrário, os novos diretores, liderados pelo ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, devem defender uma redução da taxa de desconto usada no cálculo. Se, por exemplo, essa taxa ficar entre 8% e 9%, os R$ 88 bilhões inicialmente calculados caem pela metade.

Apresentar um balanço auditado antes de junho é o evento mais importante para a estatal evitar o vencimento antecipado de US$ 56,7 bilhões em dívidas, o que a colocaria em uma situação financeira ainda mais delicada.

 

 

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