Robôs têm dia de glória em espetáculo de dança

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Enquanto soam os violinos, um dançarino solitário baila graciosamente pelo placo do Joyce Theatre em Nova York. Mas essa não é a performance de um solista. Dois discos voadores o perseguem e rodopiam sobre ele no ar. Dança moderna e robótica pode soar como uma combinação inusitada, mas o grupo de dança Pilobolus vem apresentando um número chamado Seraph, com a ajuda desses convidados especiais – robôs aéreos programados pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).

O Pilobolus é famoso por danças que incorporam elementos inusitados. Poucos, no entanto foram tão estranhos quanto os dois helicópteros que acompanharam Matt Del Rosario no palco do Joyce. Os quadrotores, como são tecnicamente conhecidos, são pequenos robôs de vigilância criados pela Ascending Technologies, uma empresa alemã, e controlados por membros do Laboratório de Robótica (DRL) do setor de Inteligência Artificial e Ciência da Computação do MIT. Os pesquisadores do DRL escrevem programas que permitem que grupos de máquinas coordenem suas ações sem intervenção humana.


Robôs dançantes enfeitam o palco (Reprodução/Economist)

Durante os dez minutos de Seraph, os quadrotores se reviram, flertam, enlouquecem, lamentam e se alegram, ou pelo menos parecem fazer isso para os olhos do público, variando sua velocidade e a fluidez de seus movimentos. Quando a coreografia exige que os robôs “pareçam felizes”, por exemplo, eles flutuam como borboletas, um movimento que não é essencial para a vigilância. Eles também se balançam como pêndulos e saltam como pula-pulas.

A maior parte dos movimentos, é importante ressaltar, é resultado da habilidade de Will Selby e Danny Soltero, os pilotos dos quadrotores, e não dos softwares. Mas os pesquisadores do DRL ainda esperam aprender algo com o exercício. Esquivar do dançarino, por exemplo, está dando ideias de como voar por florestas, e as luzes dos robôs – cuja frequência e mistura de cores intensificam as emoções do espetáculo – estão sendo adaptados para um projeto que pretende colocar uma frota de táxis robôs nas ruas de Cingapura.

A maior parte do projeto, no entanto, é pura diversão. De acordo com Sotero, o público sai com a impressão de que os dois robôs têm personalidades próprias. Como observa Itamar Kubovy, diretor-executivo do Pilobolus, “observar a mesma realidade por lentes diferentes pode dar origem a ideias de formas diferentes”. Quem disse que arte e ciência não se misturam?

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