Reta final: e agora José?

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Por Claudio Schamis
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36Quer dizer abafar não dá mais, mas o que fizeram na Petrobras é tão mais grave e tão mais surreal que não vi a presidente subir nas tamancas esbravejando que queria justiça. Tudo bem que ela até disse que isso tem que ser apurado, que ela era a principal interessada na apuração de denúncias de corrupção dentro e fora da Petrobras e blá, blá. Disse ainda que Paulo Roberto jamais foi homem de sua confiança e que não tinha com ele a menor afinidade. Tudo bem que ela o demitiu em 2012, mas ela se esqueceu (talvez) que ela o convidou para o casamento de sua filha em Porto Alegre no ano de 2008, onde Dilma recepcionou Lula, 10 ministros de estado e 11 governadores entre os 400 convidados. Mas isso deve ser só um mero detalhe, né?

Mas ela não disse em nenhum momento que, como presidente, ela se sentia envergonhada de ter tido um escândalo desses no seu currículo. E cá pra nós, ela tem alguma vergonha na cara? Nunca teve. Nunca terá. Ela, o Lula, o Dirceu, o Genoino…

Onze dias para definir o que irá acontecer conosco e nosso país pelos próximos 1.460 dias do novo ou velho governo.

É muito pouco (tempo) para muito (tempo). E aqui não cabe o menos é mais. Acho que nem que tivéssemos mais uns dois meses a coisa ia andar. As campanhas mais parecem uma guerra de acusações sem fim do que um debate saudável do que eu quero para o meu país. Se bem que em se tratando da Dilma o que ela quer não é novidade. O que a Marina quer eu não sei. E não faço questão de saber, pois isso só no caso de uma Presidência sua é que vamos enfim saber e na pele. E o que o Aécio quer talvez seja (ou fosse) a solução para tentarmos mudar.

Mudar sim. Da mesma forma que pensaram os eleitores que elegeram Lula oito anos atrás. Viram nele a mudança. Pena que quem se ferrou com tudo isso fomos todos nós. Se pelo menos a parte que não o queria pudesse ter sido salva, mas não, entramos nas estatísticas também. Então…

O que quero dizer com isso é que toda mudança implica um risco, mas convenhamos que a mudança com o Lula o risco era nítido e extremamente alto. E deu no que deu.

O Aécio não me passa esse medo de arriscar, já a Luciana Genro, o Eduardo Jorge, o Pastor Everaldo e o Levy Fidélix, bem esses poderiam nem ter se candidatado.

As pesquisas não param de sair e mostrar que Dilma sobe um pouco aqui, Marina desce um pouco acolá e que Aécio dá sinais de um respiro. Mas será que esses sinais serão suficientes para derrubar tanto Marina ou Dilma? Acho difícil. Talvez só se acontecer outra catástrofe, algo bombástico que possa derrubar Marina, ou Dilma.

Se bem que esse material bombástico a própria Dilma já produziu nesses quatro anos em que governou e deveria ter sido suficiente para deixar a disputa entre Aécio e Marina. Mas não foi. Como assim né? Como assim!

Mas num país em que Renan Calheiros continua político, Paulo Maluf continua querendo ser candidato, que José Arruda só não chegou aos finalmente porque pegaram ele de jeito, mas que mesmo assim ele deu um jeito de continuar com a família no poder – indicou sua esposa para vice-governadora de Brasília – nada mais normal que uma presidente que fez o que fez continue sendo uma opção do eleitor.

Marina por sua vez pede oração contra as supostas mentiras que estão contando sobre ele querendo que ela caia na desgraça do povo. Alguma coisa até conseguiram fazer com que ela perdesse, mas esses votos podem nem foram para a Dilma e não foram para o Aécio. O que aumentou de 8% para 12% foi o número de eleitores que optariam por anular ou por votar em branco. Mas isso talvez não seja suficiente para tirá-la de vez da disputa. Como disse tinha que ser algo muito obscuro, muito escabroso para que tivesse esse efeito. Algo do tipo: Marina é filha de Lula, mas ele jura que não sabia de nada.

E como diria o saudoso José Wilker no personagem de Giovanni Improtta: “O tempo ruge e a Sapucaí é grande”

A verdade é que, bem a verdade é que se nada demais acontecer vamos ter que nos dividir entre a certeza de que Dilma irá acabar de acabar com o país e a incerteza de onde Marina poderá nos levar e fazer com o já estragado Brasil. É quase uma escolha de Sofia.

Coisas de Dilma!

Dilma consegue me surpreender cada dia mais um pouco. Infelizmente para o mal.

Então, sabem Alto Santo? É, no Ceará! É no Sertão. É, sob a seca e a cidade em estado de emergência e que nem time tem na 1ª divisão do futebol. Conhecem? Mas agora vocês vão criar até gosto para conhecer. A presidente está bancando metade dos custos orçados em R$ 1,3 milhão para a construção do que será o Coliseu do Sertão. Um estádio de futebol com capacidade para 20 mil torcedores, número acima dos 16 mil habitantes do local e com a fachada igual ao do Coliseu. Só que Roma não é aqui. E nem o Haiti. (lembra da música?). A outra metade a prefeitura irá bancar.

Foram cinco anos de obras. E segundo a besta quadrada do ex-prefeito Adelmo Aquino, idealizador do Coliseu, a obra ampliará o potencial turístico e trará receitas para o comercio local. Já até antevejo as campanhas: Não pode ir a Roma, não fique triste. Yes, nós temos banana e também temos o nosso Coliseu.

Ou seja, como uma presidente que diz ser séria libera o dinheiro que for para uma obra dessas, sabendo que Alto Santo é um dos 175 municípios do Estado que decretaram situação de emergência devido à seca. E mesmo assim o gramado é irrigado regularmente, meses antes da inauguração prevista para janeiro de 2015.

Isso no mínimo é negligencia da parte do governo federal. E da prefeitura. E falando da prefeitura, eles correm contra o tempo e negociam para receber os jogos do time de Quixadá – cidade a 160 km de distancia – para que o Coliseu do Sertão não vire um elefante branco.

Essa é a presidente que quer ficar mais quatro anos entre nós. Meu Deus!

Salve as baleias. Não jogue lixo no chão. Não fume em ambientes fechados.

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