Brasil  

Relação entre Brasil e EUA vai mal

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A relação entre Brasil e Estados Unidos, dois vastos países que compartilham um hemisfério, o compromisso com democracia e a defesa do livre mercado, nunca esteve tão ruim. Como afirmou o colunista do New York Times Roger Cohen (que é casado com uma brasileira e conhece bem o Brasil), em artigo publicado no último dia 21, “uma amizade natural vem se rachando sob tensões artificiais, e uma alienação perversa prevalece”.

O Brasil, que Cohen chama de “Estados Unidos tropical”, tem dificuldade para se aproximar de Washington, e vice-versa. Segundo ele, o país que poderia ter sido o aliado mais próximo dos EUA entre as potências emergentes hoje não representa nada. Enquanto isso a China, um interlocutor no qual o Brasil confia mais, tornou-se seu maior parceiro comercial. Os laços entre Brasil e EUA foram consignados a um vácuo às vésperas da Copa do Mundo de 2014 e há dois anos das Olimpíadas de 2016, dois dos maiores eventos do mundo que o país vai sediar.

Movida pelas ideologias de esquerda do PT, a política externa brasileira tem sido amável e generosa com países como Venezuela e Cuba enquanto esnoba Washington. Após a entrada da Venezuela no Mercosul, em 2012, o bloco se transformou em um clube anti-ianque, ao contrário da Aliança do Pacífico, aberta tanto a negociações com os EUA como Europa e Ásia.

Os 50 anos do golpe militar no Brasil, lembrado este ano, foi usado pelo governo como uma oportunidade para criticar os EUA, que apoiou a intervenção militar. “O aniversário do golpe somado ao recente escândalo de espionagem deu lugar à ingênua crença de que nada mudou, quando na verdade tudo mudou”, defende Cohen.

Com uma economia praticamente estagnada, a moeda escorregando, a inflação em alta, grandes projetos de infraestrutura e planos ambiciosos para o desenvolvimento de enormes jazidas de petróleo offshore atrasados ​​e acima do orçamento, o Brasil certamente se beneficiaria de uma maior cooperação com os Estados Unidos. Como pontua Roger Cohen, “Caracas e Havana não irão construir o futuro de uma grande nação”.

 

 

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