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Raúl Castro admite que não há plena liberdade de expressão em Cuba

Emerson Penha
Enviado Especial

Porto Mariel – O presidente cubano, Raúl Castro, admitiu que não há plena liberdade de imprensa no país, ao comentar a morte do pedreiro e dissidente político, Orlando Zapata, preso há sete anos e que estava em greve de fome, desde dezembro em protesto por sua detenção. A fala de Castro ocorreu ao final da solenidade de visita às obras do Porto Mariel, em companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando Lula e Castro visitavam o lugar, onde o porto está sendo construído, os jornalistas brasileiros pediram para falar com Lula. Em vez disso, foi Castro quem se aproximou e falou. Começou perguntando o que os jornalistas achavam do “inverno” em cuba, entre outras amenidades.

Os jornalistas disseram que queriam falar com ele. Castro disse: “Posso imaginar. Vocês querem perguntar sobre o preso que morreu. Nós o levamos a vários hospitais, aos melhores. Mas, lamentavelmente, ele morreu. Aqui em cuba não se tortura ninguém”.

Um jornalista disse: “não é o que dizem os organismos de direitos humanos”.

Castro respondeu: “porque são como a imprensa. Desde que Gutemberg inventou a imprensa, publica-se o que querem os patrões”.

Outro jornalista questionou: “colegas cubanos não estão aqui”.

Castro, sem tomar conhecimento, continuou: “reconheço que aqui em cuba não temos plena liberdade de expressão. Mas, se os Estados Unidos nos deixassem em paz, se nos deixassem seguir com nosso desenvolvimento, isso poderia mudar”.

A rápida entrevista do líder cubano ocorreu durante uma visita às obras do novo porto, a cinquenta quilômetros de Havana, capital cubana. A obra será executada pela construtora Odebrecht, ao custo estimado de US$ 800 milhões. Desse total, cerca de US$ 500 milhões serão financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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