Brasil  

Quase a metade dos cariocas não gosta de futebol ou não vai apoiar a seleção

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“Eu quero que o Brasil perca o Mundial. Esse país não investe em hospitais nem em educação (…) Sinto muito, mas, espero que o Brasil seja eliminado logo na primeira rodada, os políticos precisam de um castigo”, disse o carioca José Campos Lara, 55, a um jornalista espanhol. Ele não é o único que pensa assim.

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O ano dos protestos e das greves oportunistas

Há quatro anos, semanas antes da Copa da África do Sul, as ruas do Rio de Janeiro já estavam enfeitadas com bandeiras e cartazes de apoio à seleção brasileira. Hoje os sinais visuais de entusiasmo são escassos. No mítico Maracanã, sede da final, a maior referência à competição são alguns postes pintados de verde e amarelo. Nos bairros de Copacabana e Ipanema não se nota nada especial. Na favela do Vidigal, meninos correm com as camisas de seus ídolos, porém, não se vê nenhum cartaz em apoio à seleção. A tradição de decorar as ruas do país com as cores da bandeira, típica nas décadas de 1980 e 1990, parece estar declinando.

“Há quatro anos havia muito mais clima”, explicou ao El País Pedro Trengrouse, assessor nas Nações Unidas e professor da Fundação Getúlio Vargas. “O governo não se preocupou com a inclusão da população na Copa. Primeiro, vendeu como obras do Mundial estruturas que nada têm a ver com os Jogos, gerando muita expectativa. Em segundo lugar, os brasileiros experimentam uma privação relativa: poucos têm entradas para as partidas. A maioria não participará da festa. O governo prometeu demais e entregou de menos”. A consequência é um clima de desânimo e frustração.

Para o comerciante Fabrício, “o carioca está desmotivado pelas denúncias de gastos excessivos com a competição”. Além disso, “as greves de transporte e as manifestações não estão ajudando”, disse Antenor Barros Leal, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Será que o mal estar se transformará em euforia quando a bola rolar? O presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Fernando Azevedo, acredita que sim: “antes do começo das Olimpíadas de Londres também havia um clima negativo. Nós somos o país do futebol. Quando a bola rolar só pensaremos em ganhar e apoiar a seleção”.

 

 

Fontes: El País-‘Yo quiero que Brasil pierda’ – Opiniao & Noticia: Quase a metade dos cariocas não gosta de futebol ou não vai apoiar a seleção

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