PT na Câmara decide votar contra Cunha no Conselho de Ética

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gustavolima_agcamaraOs três deputados do PT na Câmara – Léo de Brito (AC), Valmir Prascidelli (SP) e Zé Geraldo (PA) – vão votar pela continuidade do processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no Conselho de Ética. A decisão foi tomada em reunião de bancada realizada nesta quarta-feira (2), e anunciada durante o encontro por meio de redes sociais, antes mesmo do anúncio do líder do partido, deputado Sibá Machado (AC).

A notícia chegou primeiramente por meio do Twitter, nas palavras da deputada Maria do Rosário (RS). “Bancada do PT reunida. Decisão é nossos 3 votos pela admissibilidade do processo contra Cunha no Conselho de Ética. Líder Sibá anunciará”, avisou a parlamentar gaúcha, exatamente às 13h45, dois minutos de a conta da bancada do PT anunciar a decisão na mesma rede social. “Bancada do PT na Câmara vai votar pela admissibilidade do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética”, reiterou.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Paulo Pimenta (RS) também informou a decisão e avisou que “não haverá qualquer tipo de acordo que altere essa posição”.

Ontem (terça, 1º), o presidente nacional do partido, Rui Falcão, já havia adiantado a orientação do partido durante a primeira reunião para apreciar o relatório de Fausto Pinato (PRB-SP), pela admissibilidade do pedido de cassação de Cunha feito por Psol e Rede. “Nós não temos acordo com o Eduardo Cunha. O que há são relações institucionais enquanto ele presidir a Casa. O compromisso do Partido dos Trabalhadores é com a democracia. Confio em que nossos deputados, no Conselho de Ética, votem pela admissibilidade”, registrou Falcão.

Como este site mostrou mais cedo, a situação aumenta crise política no Congresso e opõe deputados do PT ao governo, que teme a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, atribuição exclusiva de Cunha, como retaliação. Enquanto o Palácio do Planalto trabalha nos bastidores para convencer os três petistas que integram o Conselho a votar pelo fim do processo, Falcão e a maioria da bancada teme o desgaste de um partido já enfraquecido e, agora, defendem explicitamente o apoio ao andamento do procedimento legislativo.

Ameaça

A manifestação de Rui Falcão é uma resposta às notícias sobre um movimento, nos bastidores, para que Cunha fosse beneficiado no Conselho e, em contrapartida, não avalizasse processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo desta terça-feira afirma que Cunha ameaçou deflagrar os procedimentos de afastamento presidencial caso o PT não ajude a salvar seu mandato no Conselho de Ética. De acordo com a matéria, petistas que sinalizavam votar contra Cunha discutem a possibilidade de, “em nome da governabilidade”, rever a posição e votar para enterrar o processo de cassação.

Ainda segundo a reportagem, a ameaça de Cunha foi feita em almoço com o vice-presidente, Michel Temer. Conforme o relato feito pela Folha, o deputado disse que esperaria a posição dos três petistas que participam do Conselho de Ética para, então, decidir o que fazer com os pedidos de impeachment. Temer e Cunha negaram ter discutido o assunto.

Ontem, Zé Geraldo admitiu publicamente a pressão e acusou o presidente da Câmara de ameaçar abrir um processo de impeachment contra Dilma caso o PT vote pela continuidade do pedido de cassação. Segundo ele, Cunha botou não só uma “faca no pescoço”, como uma “metralhadora” sobre a cabeça dos petistas. O deputado chegou a defender que, em nome da “governabilidade”, ele e seus colegas deveriam votar pelo arquivamento da denúncia contra o peemedebista.

Denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato na Petrobras, o peemedebista é acusado de ter mentido à CPI da Petrobras, em março, ao dizer que jamais possuiu contas bancárias no exterior. A versão foi contraditada pelo Ministério Público do país europeu, que enviou ao Brasil provas de que o deputado e familiares não só mantiveram contas secretas em outros países, como também movimentaram milhões de dólares e francos suíços por meio delas.

Por Fábio Góis do Congresso em Foco

 

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