PSDB quer convocação de Mercadante sobre depoimento de “aloprado”

Fonte: congressoemfoco.com.br

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), afirmou neste domingo (19) que o partido vai pedir a convocação do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, para prestar esclarecimentos sobre o caso do dossiê dos “aloprados”. Em setembro de 2006, cerca de R$ 1,7 milhão foram encontrados num hotel em São Paulo supostamente para comprar um dossiê contra José Serra (PSDB), à época candidato ao governo paulista. As investigações foram arquivadas.

A revista Veja publicou reportagem em que o petista Expedito Veloso diz que Mercadante e o falecido ex-governador Orestes Quércia foram os principais mandantes da operação. “As investigações sobre o caso dos aloprados acabaram sendo arquivadas por falta de provas. As informações trazidas agora são suficientes para que a apuração prossiga. Vamos apresentar um conjunto de ações para a retomada das investigações. Se havia falta de provas, creio que agora não há mais”, disse Duarte Nogueira, em comunicado distribuído à imprensa hoje.

O deputado promete que partido ingressará com requerimentos amanhã mesmo nas comissões da Câmara para convocar Mercadante e convidar Expedito Veloso a prestarem esclarecimentos. O PSDB ainda vai fazer uma representação ao Ministério Público Federal e enviar um ofício à Polícia Federal pedindo a reabertura do caso.

O Resumo da matéria publicada na Revista VEJA

Exclusivo: Desvendamos o mistério do “Dossiê dos Aloprados”
Petista Expedito Veloso quebra pacto de silêncio e revela quem foram os mentores e os arrecadadores do dinheiro que financiaria uma das maiores fraudes eleitorais da história brasileira
Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhões de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde. O episódio ficou conhecido com escândalo do Dossiê dos Aloprados.
Nas investigações sobre o caso, a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou cinco prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum. Reportagem de VEJA desta semana desvenda o mistério cinco anos depois. A revista teve acesso às gravações de conversas de um dos acusados do crime, o bancário Expedito Veloso, atual secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. Procurado pela reportagem, Expedito confirmou o teor das conversas, ao mesmo tempo em que se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. “Era um desabafo dirigido a colegas do partido”, disse.
VEJA demonstra que o mentor e principal beneficiário da farsa foi o ex-senador e atual ministro da Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante. Não é a primeira vez que o nome do ministro surge na investigação. A PF chegou a indiciá-lo por considerar que era o único beneficiado pelo esquema. Mas a acusação acabou anulada por falta de provas. “Agora surgem elementos mais do que concretos para esclarecer de uma vez  por todas a verdade sobre o caso”, diz a reportagem.
Em seu “desabafo”, Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governado de São Paulo. Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia. “Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário. “Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.” Tratava-se de um pacto. “Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo.” Procurado por VEJA, o ministro Mercadante não quis comentar o episódio.
VEJA mostra ainda que a investida dos aloprados contra Serra não foi a primeira. Esquema semelhante já havia sido testado anteriormente – dessa vez com sucesso – em Mato Grosso. E nem os próprios petistas a bruxaria poupou: quando candidata ao governo matogrossense, a atual senadora Serys Slhessarenko, do PT, foi abatida por um dossiê fabricado e divulgado pelos aloprados

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