Proclamação da República, o que comemorar?

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Por Claudio Schamis

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Sinceramente, essas datas têm me deprimido muito, principalmente o dia 7 de setembro. Mas voltemos à nossa república, que está mais para republiqueta do que outra coisa.

Como deixamos a coisa chegar a esse ponto? Algum de vocês já se perguntou isso? Você já fez esse exame de consciência?

Acho que muitos seriam reprovados! E a realidade é essa, estampada nos jornais todos os dias nos últimos anos.
Nada do que possamos nos orgulhar. Muito pelo contrário. Nunca tive tanta vergonha em ser brasileiro quanto agora. Se você é ainda nacionalista, bom pra você. Se você está se perguntando o que então eu ainda faço aqui, diria que é uma ótima pergunta. Mas estou trabalhando para lhe dar a resposta que mais sonho: “Já estou de partida!”. É um sonho. É uma meta. É um trabalho de construção junto à minha esposa, que ainda reluta em ficar no Brasil, mas hoje em dia, longe do Rio de Janeiro, onde ainda moramos.

Evoluímos muito desde 1889 quando foi proclamada a nossa República, mas sinto que estamos no processo inverso e em pleno século XXI.

É nessa República dos dias atuais em que a cada dia um deputado aparece em mais um escândalo, e que sabemos de mais alguns milhões que foram desviados, que matam pessoas comuns nas filas de hospitais, que colocam mais jovens no mundo do crime, que tem a questão da violência sendo algo que tem fugido do controle, principalmente no Rio de Janeiro, que deixou sem sombra de dúvida de ser a Cidade Maravilhosa que um dia foi, que nos apresenta (praticamente) zero possibilidades de uma melhora diante dos possíveis candidatos das próximas eleições presidenciais, que nos dá somente o instinto de sobrevivência que tem sido a nossa sofrida meta de todos os dias: apenas sobreviver mais um dia.

Tínhamos e temos ainda o principal nas mãos: um país com reservas naturais, com um clima propício, um país gigantesco, mas com a doença política entranhada em fase de metástase que corrói todos os partidos, instâncias e poderes. O que faz a missão de termos um país melhor muito difícil de alcançar. Por mais fases da Operação Lava-Jato que estão acontecendo o que vemos é que quanto mais se cava, mais se acha lama, podridão, corrupção, numa teia infinita que parece não ter mais fim.

Fico me perguntando até quando vamos suportar isso? Fico perguntando onde estão as grandes mobilizações nas ruas? Onde estão os movimentos lutando para que alguma coisa mude? Onde estão as pessoas clamando por alguma opção menos pior para as próximas eleições? Será que haverá mesmo, ou vamos ter que novamente votar no A para o B não entrar? Isso é votar com consciência? Sempre me perguntei isso. Sou um pouco contra o pensamento de que alguém vai entrar de qualquer maneira, então melhor que seja o A do que o B! Mas e a sua vontade real? E a sua convicção? E os seus princípios?

Juro que queria assistir a uma eleição em que as urnas dissessem o que realmente as pessoas pensam. As eleições para prefeito aqui do Rio tiveram uma taxa bem alta de votos nulos, em branco e abstenções, o que foi um alerta, mas não o suficiente para barrar a entrada do atual prefeito (que parece que ainda não assumiu o cargo), mas que também para mim não faria a mínima diferença entre o que assumiu e o que ficou em segundo. Ambos seriam um desastre pro Rio na minha (humilde) opinião.

Mas enfim…

Independência ou Morte! (Acho que estamos mortos!)
Salve as baleias! Não jogue lixo no chão! E tenho dito!

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