Brasil  

Presidente Lula diz que não ofereceu asilo a iraniana condenada à morte

Luiz Antonio Alves
Correspondente da Agencia Brasil na Argentina

San Juan – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou hoje (3), durante entrevista coletiva logo após o encerramento da 39ª Cúpula do Mercosul, a afirmação do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, de que Lula tem uma personalidade emotiva por ter feito pedido de asilo para a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, que foi condenada à morte por apedrejamento pelo crime de adultério.

Lula disse que fica feliz por uma autoridade do Irã perceber que ele é um homem emocional. “Sou muito emocional”, afirmou o presidente, esclarecendo que não fez um pedido de asilo para a iraniana. “Fiz um pedido mais humanitário do que político. Não sei como os jornalistas receberam a informação, mas eu estava em um comício em Curitiba, ao lado da minha candidata, que é uma mulher, e tinha visto no dia anterior uma fotografia – não sei se uma montagem, ou não – de uma mulher enterrada até perto do pescoço para ser apedrejada”.

Lula disse que no comício, em Curitiba, apenas comentou que, como cristão, somente Deus tem o direito de dar a vida e de tirá-la. “Eu acho que o apedrejamento é uma morte tão bárbara que eu disse que o Brasil receberia essa mulher de braços abertos”.

Segundo o presidente, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tinha feito apelo para que, por questões humanitárias, a condenação de Sakineh Mohammadi Ashtiani fosse suspensa. “Pelo que se fala na imprensa”, disse Lula, “ela ou vai morrer apedrejada ou vai morrer na forca. Ou seja, nenhuma das duas mortes é confortável ou humanamente aceitável. Por isso eu fiz esse apelo”.

Lula disse que se houver disposição do Irã, estará pronto para conversar sobre este assunto e. se fosse possível, Sakineh Mohammadi Ashtiani poderia vir para o Brasil.

Ele também afirmou que, como chefe de Estado, aprendeu a respeitar as leis e a Constituição de cada país. “Sobre a questão dos direitos humanos no Irã, não conheço profundamente como funciona o país. Sei que cada país tem suas leis, Constituição, religião e nós, concordando ou não, precisamos aprender a respeitar o procedimento de cada país”.

Edição: Aécio Amado

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