Presidência da Câmara já dá briga

Fonte: votebrasil.com

A favor do ex-líder da legenda Cândido Vacarezza (SP) estão os argumentos de trânsito livre com Dilma Rousseff, o que facilitaria as relações da Casa com o Executivo em uma suposta vitória da petista…

A guerra de forças pela Presidência da Câmara dos Deputados já começa a dar sinais de disputas internas dentro dos partidos. No PT, maior bancada eleita na Câmara, dois deputados já se colocaram como postulantes ao cargo e começam a trabalhar nos bastidores para que a bancada defina critérios para a escolha do nome.

A favor do ex-líder da legenda Cândido Vacarezza (SP) estão os argumentos de trânsito livre com Dilma Rousseff, o que facilitaria as relações da Casa com o Executivo em uma suposta vitória da petista.

O grupo a favor de Marco Maia (RS), no entanto, afirma que a votação do paulista —pouco mais de 131 mil votos — não foi expressiva e prega que, quando atuou como líder do partido, ele entrou em divergência com alguns dos petistas. Os argumentos dos dois lados começam a circular entre os parlamentares e já dão uma mostra de que o PT pode rachar já no início da legislatura, como toda grande legenda afogada no poder.

Os planos e as articulações dos petistas, no entanto, esbarram no cenário desenhado por uma suposta vitória de José Serra (PSDB). Nem um integrante do partido soube dizer quais seriam as reais chances de a legenda abocanhar os principais cargos do Congresso no início do próximo ano com o Executivo jogando contra.

“Acho cedo para discutir isso. Analisar o que aconteceria se o Serra ganhar é ficar fazendo previsões sobre um jogo em andamento. Claro que ficaremos fortalecidos com Dilma. Mas não dá para saber como seria se o quadro, por acaso, for outro. Por isso, acho cedo iniciar campanha por esses cargos”, avalia Vacarezza.

Olho grande

Se por um lado a disputa presidencial no segundo turno embolou as convicções e os ânimos petistas, por outro colocou integrantes do PMDB para fazer as contas. Ambos os cenários têm animado os peemedebistas, adeptos de alianças com o poder e ocupantes assíduos de cadeiras importantes nas mesas diretoras do Congresso.

Com o nome do líder Henrique Eduardo Alves (RN) na dianteira da lista de indicações da legenda para o cargo, o PMDB faz planos pela Presidência da Câmara. Avaliam que, se Dilma vencer a disputa, podem reivindicar o apoio palaciano em forma de dívida que a candidata teria com integrantes da legenda pela posição secundária que os colocou durante a campanha.

“Fomos escanteados em alguns estados e, mesmo assim, permanecemos juntos no segundo turno. Seria muito justo se, ganhando a disputa no dia 31, ela nos apoiasse em detrimento da sua legenda”, defende um cacique do partido.

Peemedebistas também acreditam nas chances de conseguir a Presidência da Câmara se o próximo presidente for José Serra. Para isso, apostam na interferência do senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) e de interlocutores ligados a Orestes Quércia, que foi o mentor do apoio de uma ala do PMDB ao candidato tucano.

Em ambos os casos, a ideia seria buscar consenso na base em torno do atual líder da legenda. Na guerra pelo comando da Câmara, o PT ensaia iniciar uma ofensiva para voltar ao cargo. Terá primeiro de vencer as divergências internas. Só assim, terá forças para enfrentar o gigante PMDB: um mestre em alianças e estratégias para garantir seu espaço no poder.

Izabelle Torres

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