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Portugal sob o fogo cerrado da especulação internacional. erta a temporada de caça aos frágeis mercados da Zona do Euro

Fonte: monitormercantil.com.br

Zurique – “Duas portas tem a vida”, diz a canção portuguesa e, ao que tudo indica, Grécia e Portugal escolheram cada uma a sua nos últimos dias. Agora, qual é a porta que as conduzirá a um atalho seguro ninguém pode saber desde já.

No final do mês passado a Grécia optou por tomar um empréstimo caro – tomou 8 bilhões de euros pagando a mais alta taxa de juro dos últimos dez anos (6,2%) – lastreado em debêntures quinquenais, mas, finalmente, sacou o volume de recursos que desejava e precisava.

Em meados da semana passada, Portugal desejava, inicialmente, tomar um empréstimo de 500 milhões de euros, lastreados por notas promissórias e mais juros. Mas, finalmente, anunciou que tomará um empréstimo de apenas 300 milhões euros, porque constatou que a taxa de juro seria superior a 2%, quando em 20 do mês passado um empréstimo análogo havia-lhe sido concedido com taxa de juro de 0,93%. No final das contas os 300 milhões foram emprestados a Portugal com taxa de juro de 1,37%.

Após esta evolução, o ministro de Economia de Portugal, Fernando Teixeira dos Santos, assestou suas baterias contra os especuladores internacionais e seus jogos, declarando que “Portugal tornou-se o novo butim dos mercados após a Grécia e os investidores têm percepção animalesca”.

Trata-se, portanto, de duas formas diferentes de gerenciamento da mesma situação. Porque os mercados internacionais têm voltado sua atenção a Portugal, como o “imediatamente seguinte elo fraco da Zona do Euro”.

Necessidade de apoio

Analistas do mercado europeu de debêntures sustentam que “quando você vende a carne por qualquer preço, você mostra que está desesperado”. No caso oposto, isto é, quando você corta suas emissões, você diz: “Todos os outros avaliam erroneamente a situação da minha economia e vou obrigá-los a verem a situação como exatamente está”.

Mas, de acordo com os mesmos analistas, “ambos os argumentos estão errados”. Isto porque “sozinhas as economias da Grécia e de Portugal não conseguirão sair do buraco. Quando os mercados agem com tanto dinamismo, então você não pode enfrentá-los sozinho”. E concluem que “os mercados suspeitam que as sociedades não podem aceitar as medidas corretivas e liquidarão seus lucros aos poucos”.

Mas quando saberemos qual das duas estratégias era a melhor, considerando sempre as condições dos mercados? “Em breve” – sustentam “as cabeças pensantes” do mercado – porque em pouco tempo tanto a Grécia, quanto Portugal precisarão saírem em busca de novos empréstimos, e exatamente ali se revelarão “os resultados das manipulações feitas pela Grécia e Portugal”.

Anotem que, para este ano, o programa de empréstimos da Grécia totaliza 53-54 bilhões de euros e o de Portugal, cerca de 37 bilhões de euros. Também, a dívida pública da Grécia deverá atingir este ano 120,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, enquanto a correspondente de Portugal oscilará em torno de 85% de seu PIB.

Mas, aquilo que deverá ser feito para que o clima negativo seja revertido é existir um coordenado apoio da totalidade dos países integrantes da Zona do Euro, por intermédio da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia) ou do Banco Central Europeu (BCE).

Todos os especialistas europeus consultados são unânimes em destacar que tanto a Grécia, quanto Portugal (por enquanto estes dois, mas há outros) estão pagando caro os empréstimos de que precisam, porque “nenhum dos dois países possui uma estratégia total de saneamento de seus fundamentos fiscais”.

A propósito da Grécia, acrescentam que “dentro do primeiro semestre deste ano o governo será obrigado a decretar novas e mais severas medidas de restrição do déficit.

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