Por que pais devem ser honestos em relação à aparência das crianças

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crianca_brava_niklas_hellerstedt_flickr-830x545Falar com crianças sobre aparência é uma tarefa complicada para adultos. Para minimizar o impacto de uma criança ter uma aparência fora dos padrões considerados bonitos ou ser gorda, eles costumam afirmar que a aparência não importa.

Mas para o escritor australiano Robert Hoge, que se descreve como “a pessoa mais feia do mundo”, é totalmente errado dizer para crianças que a aparência não importa. “Eles sabem perfeitamente que importa”, afirmou em entrevista ao jornal New York Times.

Autor do livro Ugly (Feio, em inglês) Hoge afirma que é um alívio para as crianças quando um adulto explica de forma franca sobre viver com características ruins em um mundo de aparências desiguais. Segundo ele, é importante que elas saibam com clareza que é apenas uma coisa na vida, uma característica dentre muitas outras. Em outras palavras, a aparência importa, mas não é tudo.

Hoge diz ter baseado seu livro em sua própria experiência. Ele nasceu com um tumor na face e pernas deformadas. Logo que o viram, seus pais se consumiram em lágrimas e sua mãe acabou deixando-o no hospital na esperança de que ele não sobrevivesse. Somente em sua quinta semana de vida, seus pais retornaram ao hospital para buscá-lo, a pedido dos irmãos de Hoge.

Logo, como uma criança seria capaz de lidar com a selvagem hierarquia social da aparência, que geralmente começa nos parquinhos, se nem mesmo os adultos conseguem enfrentá-la? Os privilégios da beleza são velhos conhecidos da ciência social. Sabemos que não são apenas os empregadores, professores, pares românticos ou eleitores que privilegiam os mais bonitos. Os pais fazem isso também.

Nas literaturas infantis, a feiura é sempre merecida ou transitória, como no caso de vilões ou do patinho feio que vira cisne. A história do patinho feio, aliás, é um ótimo exemplo de hierarquia da aparência, já que no fim a beleza do cisne é amplamente coroada sobre a aparência normal dos patos comuns. Mas e quando a transformação nunca chega e a pessoa passa a vida sendo apenas pato?

Segundo Hoge, é preciso conversar com a criança antes que ela comece a sofrer a inevitável pressão das outras, em que cada pequena diferença é um desastre. Ele lembra ninguém é uma coisa só, temos várias características e o mesmo se aplica à beleza. Logo, as crianças devem ser tratadas com franqueza e aprender que ser bonito não é essencial. “Não diga às crianças que são bonitas. Diga apenas que não tem problema em ter essa aparência”.

Talvez, o principal seja desfazer a antiga e equivocada conexão que a feiura tem com a imoralidade. No dicionário Oxford, a palavra “feiura” é descrita como “moralmente repugnante”. Em grego, a palavra kalos significa tanto “belo” quanto “nobre”, enquanto a palavra aischros significa “vergonhoso” e “feio”. No dicionário Aurélio, “feio” também é sinônimo de “vergonhoso”, “torpe” e até mesmo “desonesto”.

 

Fonte: Opínião&Notícia

 

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