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População chinesa questiona ‘política do filho único’

Fonte: opiniaoenoticia.com.br
Caso de professor despedido por ter segundo filho gera debate sobre controle da procriação. Governo afirma que política não mudará até 2015.

Em março de 2009, Yang Zhizhou foi despedido de seu emprego com professor de Direito em Pequim por ter tido mais de um filho. Ele estava ciente dos riscos, mas queria desesperadamente ter um filho homem. Histórias como a de Yang não são raras num país que nos últimos 30 anos obrigou os cidadãos a terem apenas um único filho e aplicou medidas severas para garantir que sua determinação fosse cumprida. No entanto, o ato de rebeldia do ex-professor de Direito ganhou simpatizantes até mesmo entre membros da imprensa estatal.

Os protestos contra a política do filho único vêm crescendo nos últimos tempos. Os relatos de Yang, que declarou que seu segundo filho era “um presente divino” ganharam as páginas de jornais como o Beijing Times, o Southern Weekend e da revista Century Weekly, que afirmou que o publico e intelectuais concordavam que a procriação era um direito básico , que não deveria estar submetido ao controle estatal. O Southern Weekly já havia reportado o estranho caso do condado de Yicheng, na província de Shanxi, no norte do país. Yicheng tem regras mais relaxadas com relação à procriação e permite que os casais tenham dois filhos. No entanto, a taxa de crescimento demográfico do condado está abaixo da média, e apresenta uma grande diferença entre meninos e meninas. Como acontece no resto do país, a preferência por filhos do sexo masculino, somada à política do filho único resulta em milhares de abortos de bebês femininos.

Nas áreas rurais, o controle sobre a política do filho único vem sendo já vem sendo flexibilizado, e várias áreas permitem que famílias tenham um segundo filho, caso o primogênito seja uma menina. No entanto, o governo não dá sinais de que irá reverter sua decisão. A carta que lançou a política, datada de 30 anos atrás, falava na manutenção do controle de procriação por três ou quatro décadas, o que fez com que muitos tivessem esperanças de que ela fosse abolida em 2010. Porém, o governo já sinalizou, em fevereiro, que não pretende alterar sua decisão até 2015.

Yang afirma que gostaria de ter mais filhos, mas sua esposa já avisou que não pretende engravidar novamente. Seu segundo bebê acabou sendo outra menina, então ele a batizou de Ruonan, que pode ser traduzido como “deveria ter sido um menino”. O gráfico abaixo mostra a queda na taxa de fertilidade das mulheres chinesas entre 1960 e 2008, destacando o início da política do filho único, em 1980.

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