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Política russa: uma farsa ensaiada

Pode ser que os moradores de Moscou não tenham percebido dois novos anúncios dentre os muitos outdoors chamativos espalhados pela cidade. Um deles retrata Dmitry Medvedev, o presidente russo, como um “Capitão Rússia” musculoso. A imagem, baseada nos anúncios para o novo filme do “Capitão América”, mostra um supostamente tecnológico Medvedev empunhando um iPad ao invés do escudo característico do superherói. O segundo exibe Vladimir Putin, o primeiro-ministro, como um James Bond de smoking e revólver à mão. Os anúncios servem como uma observação precisa da farsa teatral que a política russa se tornou.

O primeiro mandato de Medvedev como a pessoa formalmente mais poderosa do país está chegando ao fim. Alguns observadores ainda levam a sério suas chances de exercer o poder em algum momento. Ele faz um grande esforço para fundamentar essas esperanças, como no mês passado, quando instou líderes empresariais a escolherem entre ele e Putin nas próximas eleições presidenciais de março. Seu pedido foi prontamente atendido. Uma semana depois da convocação de Medvev, Igor Komarov – presidente da fabricante de carros AvtoVAZ -, disse que a resposta “obviamente era … Putin”.

A sequência de eventos dificilmente poderia ser considerada surpreendente num país em que Putin permanece tanto como líder supremo quanto como favorito para retornar ao Kremlin nas próximas eleições presidenciais em março.

Enquanto isso, dois dos conselheiros mais graduados de Medvedev afirmaram que a Rússia entraria numa “grande crise” se o seu patrão não fosse re-eleito em 2012. A lógica deles vai de encontro à longa série de promessas não cumpridas do presidente, como a de reforçar o estado de direito e a de uma modernização agressiva, apesar de seus apelos estridentes por reformas radicais tenham em geral sido apenas jogo de cena para a performance de Putin.

Outros oficiais dizem, privadamente, que a saída de Putin seria catastrófica para o sistema que ele mesmo construiu. Aconteça o que acontecer, a única certeza é que o resultado da eleição será acertado de antemão. Como um comentarista expressou recentemente, toda a política russa acontece dentro da cabeça de Putin.

*Texto traduzido e adaptado pelo Opinião e Notícia

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