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Polícia do Senado investiga fraude no ponto

 

Por Eduardo Militão – congressonfoco.com.br

A Polícia do Senado aguarda um documento do serviço de informática da Casa, o Prodasen, para avançar na investigação sobre uma funcionária do gabinete de um ex-senador que batia o ponto para 20 colegas. Eles não precisavam trabalhar para receber seus salários. Antes da chegada do atual sistema de ponto eletrônico do Senado, a secretária fazia a inserção dos nomes dos servidores nos computadores. Para isso, usava uma lista com os nomes de usuários e as respectivas senhas.

O canal Globonews, que revelou a investigação, mostrou ainda que alguns servidores estão “batendo o cartão” e voltando para casa logo em seguida (veja vídeo abaixo).

Segundo o Congresso em Foco apurou, a Polícia do Senado quer analisar uma lista feita pelo Prodasen com o nome de usuário e as senhas dos 20 funcionários citados. Com isso, poderá conferir se batem com a acusação feita aos policiais. A denúncia foi feita por um ex-servidor do gabinete que apontou a secretária do mesmo gabinete como autora da inserção dos nomes nos computadores da Casa. Com o documento do Prodasen em mãos, os investigadores querem saber se o horário de “login” dos 20 funcionários é muito próximo, o que indicaria a possibilidade de terem sido feitos por uma mesma pessoa.

De acordo com a apuração da Polícia, a secretária fez o registro dos colegas durante todo o ano de 2010, ainda na vigência do ponto antigo, que funcionava com os computadores do Senado. O sistema novo exige que o polegar do servidor e o crachá sejam apresentados para uma máquina. Mas, assim como acontece na Câmara, os funcionários dos gabinetes dos senadores e dos escritórios políticos nos estados não estão obrigados a utilizarem o mecanismo.

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), considerou “grave” o fato de servidores baterem o ponto e não trabalharem. “A frequência é feita porque o funcionário é obrigado a trabalhar.” Ele determinou à diretora geral do Senado, Dóris Marize, que apure também a responsabilidade dos chefes em permitir que os subordinados ganhem sem trabalhar.

Em carta aos colegas do Senado, uma das funcionárias identificadas no vídeo se defendeu. O documento assinado por Edilenice Passos foi divulgado pela assessoria do Senado. Leia a íntegra:

Servidora filmada em reportagem do ponto eletrônico apresenta a sua defesa
A servidora Edilenice Passos, Consultora do Senado, filmada em reportagem sobre o ponto eletrônico veiculada na última sexta-feira, 1º, apresentou a alguns colegas uma explicação e uma reflexão sobre os fatos. O Blog do Senado publica o documento:

Colegas,

Peço licença para tratar de um assunto fora do escopo da Lista Infolegis.
Para muitos aqui, na Lista Infolegis, eu sou apenas um nome. Outros tantos me conhecem pessoalmente. Acredito, porém, que todos conhecem minha reputação profissional.

No dia 1 de abril de 2011, o Jornal Nacional, da Rede Globo, veiculou matéria sobre o início do ponto biométrico no Senado Federal, local onde trabalho. Mostrou que o ponto não se aplica a todos os servidores e funcionários, e que tem acontecido fraude. A partir desse momento, mostra imagens minhas saindo do prédio dez minutos depois de ter entrado. Diz ainda que isso aconteceu por dois dias seguidos.

O que a reportagem omitiu é que isso aconteceu porque o meu local de trabalho (Museu do Senado) passava por reforma. Enquanto foi possível trabalhar, eu trabalhei. Trabalhei com o barulho e a poeira provocados pela reforma do plenário vizinho ao Museu, trabalhei com cheiro de cola usada para fixar os novos carpetes. A certa altura, foi necessário interditar o Museu para a reforma do seu teto. Os computadores foram desligados, as mesas foram cobertas. Quando não foi mais possível trabalhar, recebi a orientação que deveria bater meu ponto e trabalhar em casa. E trabalhei. Na época estava trabalhando em parte do manual do Portal LexML. Nesse período, eu me reportei ao Diretor e sempre me coloquei à disposição para realizar qualquer tarefa que me fosse designada, no Senado Federal ou fora dele.

Logo que a reforma do Museu do Senado terminou, retornei ao meu local de trabalho.

Na época da reforma, meus colegas que estavam de plantão cuidando da obra, me informaram que uma jovem, que não se identificou, me procurou. Essa jovem carregava na altura do peito um “smartphone” com a fortuita intenção de gravar algo ilícito. Ela esteve no Museu, verificou que o local estava em obras, e mesmo assim, veiculou imagens sem o devido contexto, sem a devida explicação.

Por mais de 28 anos trabalho no Senado Federal. Trabalhei por 12 anos na Consultoria Legislativa do Senado, onde chefiei o serviço de pesquisa. Coleciono mensagens de apoio e elogios dos usuários que atendia.
Em 2009 e 2010, assessorei, no papel de Bibliotecária Jurídica, a Comissão para Elaborar o Anteprojeto de Código de Processo Penal, tenho sido publicado a pedido do Ministro Hamilton Carvalhido, que presidiu a Comissão, no Boletim de Pessoal do Senado, agradecimento e elogio por minha atuação.

Fui por duas vezes indicada para a Medalha Rubens Borba de Moraes, concedida pelo Conselho Regional de Biblioteconomia, 1 Região. A eleição se dá por indicação espontânea dos colegas profissionais. Acredito que ninguém iria indicar um profissional relapso.

Tenho mais de 40 itens publicados, entre livros e artigos de periódicos. A lista dos meus trabalhos pode ser encontrada no meu sítio na Internet, em
www.infolegis.com.br/Curriculo.htm.

Fui recentemente eleita, por aclamação, para a coordenação do Comitê Gestor de Informação do Portal LexML. Participo de dois grupos de trabalho (GTs) dentro do Comitê e fui escolhida para escrever um artigo científico descrevendo o trabalho de um dos GTs, que versa sobre o modelo de requisitos para a gestão da informação jurídica, que foi submetido ao XXIV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Ciência da Informação (XXIV CBBD).

Além desses dois grupos de trabalho, desenvolvo, com colegas bibliotecários jurídicos, três pesquisas: a primeira sobre o mercado de trabalho para o bibliotecário jurídico nos órgãos dos poderes Legislativo e Judiciário; a segunda, uma análise da legislação, publicada em 2009, no Distrito Federal, Pernambuco, São Paulo, Pará e Rio Grande do Sul; e a terceira sobre o bibliotecário jurídico e o sigilo profissional.

Eu pergunto por que não fui filmada quando, em 2009, trabalhei incansavelmente para preparar um número especial da Revista Senatus sobre os 50 anos do Senado Federal em Brasília. Além de ser responsável por quase toda a pesquisa bibliográfica e iconográfica, escrevi seis dos 12 artigos que compuseram o fascículo.

Eu pergunto por que não fui filmada trabalhando de cadeiras de rodas, muletas e bota ortopédica quando lesionei o tendão do meu pé direito.
Eu pergunto por que não fui filmada quando pesquisei e ajudei na digitação e correção de todos os anteprojetos e projetos de lei, publicado s de 1930 a 2010, que procuraram alterar o Código de Processo Penal. Esse trabalho agora está em fase final e será publicado pela Subsecretaria de Edições Técnicas do Senado Federal.

Eu pergunto por que não fui filmada em todos os dias da minha longa carreira do Senado Federal, em que fui produtiva, correta e profissional.
Eu pergunto por que essa jornalista não se deu ao trabalho de verificar os fatos e contar a verdade. Eu, por fim, pergunto por que ela ignorou o princípio básico do bom jornalismo, de dar a chance à pessoa envolvida de esclarecer a situação antes de expor sua imagem publicamente, em rede nacional.

Edilenice Passos”

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