PMDB pretende caminhar separado do PT nas eleições municipais de 2012

Fonte: votebrasil.com
Nessa cruzada para que o PMDB ganhe autonomia com vistas a valorizar o próprio passe em 2014, Raupp conta com o vice-presidente Michel Temer. O segundo na linha sucessória se colocou à disposição do partido para ajudar nessa atração…

Escaldado com o tratamento que vem recebendo do PT e um tanto frustrado com as sucessivas discussões nas reuniões com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o PMDB se mostra decidido a construir um plano B para o seu futuro.

E a iniciativa começa a ser colocada em prática já, com duas ações simultâneas: tentar reformar a imagem de que os peemedebistas só pensam em cargos e, ao mesmo tempo promover uma campanha por novas filiações, que permitam ao partido caminhar separado do PT nas eleições de 2012.

Nos bastidores, a maioria dos diretórios foi orientada a não se esforçar em repetir a aliança com os petistas. Nas conversas mais reservadas, a justificativa que a cúpula tem apresentado aos municípios para a atitude é a de que o PT “gosta de ser apoiado, mas não gosta de apoiar”. Por isso, a ordem é enfrentar o PT nas urnas e mostrar que é maior ou tão grande quanto e que também é capaz de ter propostas.

Um dos focos do PMDB em busca de novos filiados é justamente São Paulo. Lá, os petistas fizeram de tudo para afastar Gilberto Kassab do partido. Conseguiram. Mas, de acordo com o presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), mais de 300 líderes de municípios paulistas deixaram siglas de origem rumo ao partido. “Estamos em uma cruzada, uma campanha nacional.

Orientamos o diretório para fazer novas filiações de lideranças com vistas às eleições de 2012. Não podemos obrigar, mas a preferência é por candidaturas próprias. O partido está sendo bastante procurado”, afirma Raupp.

Nessa cruzada para que o PMDB ganhe autonomia com vistas a valorizar o próprio passe em 2014, Raupp conta com o vice-presidente Michel Temer. O segundo na linha sucessória se colocou à disposição do partido para ajudar nessa atração.

Em breve, ele deve se reunir com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, atualmente filiado ao PSB. “Vamos marcar um encontro, Skaf, Temer e eu. Ele demonstrou interesse de vir para o PMDB”, conta o presidente do partido.

Imagem

Em suas reuniões mais fechadas, o PMDB concluiu que só crescer e arregimentar novos filiados não resolverá o problema do partido. É preciso “limpar a biografia” desgastada com as notícias que saem frequentemente envolvendo líderes do partido em escândalos. Nos últimos 10 anos, praticamente todos os senadores que comandaram o partido tiveram de dar explicações, a começar pelo presidente da Casa, José Sarney, e pelo líder da bancada, Renan Calheiros.

As pesquisas internas que o partido tem feito para avaliar como anda a imagem revelam que, aliada à importância histórica de ter sido fundamental para o processo de redemocratização, a cara do PMDB hoje é de um agrupamento em busca de cargos em qualquer governo. E a avaliação geral é a de que essa fórmula está com o prazo de validade vencido.

Mas, ao contrário do antigo PFL, que mudou de nome e entregou seu comando à ala jovem, a cúpula do PMDB decidiu ela mesma tentar empreender essa mudança. O partido montou cursos de gestão pública nos municípios para seu novos filiados. Do ponto de vista político, houve uma divisão de tarefas.

Enquanto Renan e o líder Henrique Eduardo Alves cuidam da relação com o governo — leiam-se cargos — grupos de parlamentares reúnem-se para cuidar de bandeiras que o PMDB possa empunhar no futuro. Como vice-presidente da Câmara, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) tem feito esse trabalho.

No Senado, um G5 trabalha no mesmo sentido. O grupo é formado por Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE), Luiz Henrique (SC), Cacildo Maldaner (SC) e Roberto Requião (PR).

A ideia é ampliar essa parcela e construir uma ala mais independente do governo, que possa refrigerar o partido, não para colocar a faca no pescoço de Dilma Rousseff e discutir cargos, mas para pensar o futuro. Recentemente, parte desse grupo foi ao gabinete de Temer. Lá, a conclusão foi uma: ou o PMDB se reinventa e constrói bandeiras e pontes com a população, ou será tragado. E, de partidos em frangalhos, avaliam os peemedebistas, já basta o DEM.

Números

O PMDB quer sair maior das eleições municipais, ampliando o número de prefeituras de 1.160 para 1.200. Também está nos planos dobrar o número de capitais sob o seu comando, das atuais quatro para oito. As câmaras municipais também estão na mira. De acordo com Raupp, o partido tem 8.500 vereadores e pretende chegar ao patamar de 10 mil.

No próximo fim de semana, o partido promoverá seminário em Mato Grosso do Sul para discutir o plano de ações para as eleições de 2012. A cúpula percorrerá todos os estados até junho, orientando os diretórios.

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) conta que o partido tem sido muito procurado no estado e que o seminário será oportunidade de apresentar os novos filiados. “O PMDB sempre se fortalece nas urnas. O seminário tem o objetivo de ampliar o partido para 2012. A força do PMDB sempre saiu dos municípios.”

Pedidos a Dilma

Ao mesmo tempo em que um grupo de peemedebistas trabalha pela reconstrução da imagem do partido, o comando da legenda permanece com o binóculo focando para a distribuição dos cargos do governo federal. Na avaliação dos peemedebistas, a cobrança reflete o desejo de dividir o poder que conquistaram com os petistas ao eleger a chapa Dima Rousseff/Michel Temer.

O PMDB está indócil com o que considera um descaso. Até agora, a presidente Dilma ainda não destinou nenhuma vaga ao ex-ministro das Comunicações Hélio Costa.

Da mesma forma, não reservou um lugar para o ex-governador da Paraíba José Maranhão. Como o PMDB não vê cumprido seus pedidos “mais básicos” — expostos inclusive numa lista que o Correio divulgou com exclusividade há cerca de um mês —, as reuniões com o ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, têm sido cada vez mais tensas.

A presidente Dilma, ao que parece, não se mostra disposta a atender os pedidos. Alguns, como a Presidência da Eletrobras, por exemplo, foi tirada do PMDB, assim como vários cargos do setor energético e toda a área de comunicações.

Os peemedebistas voltarão à carga sobre os pedidos dentro de alguns dias. Mas, primeiro querem resolver a vida de Hélio Costa e Maranhão. Afinal, ambos foram candidatos em parceria com o PT em seus estados e perderam.

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