Brasil  

Planalto diz que Petrobras se baseou em relatório falho para comprar refinaria

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Um dos maiores escândalos envolvendo a Petrobrás até agora foi a compra da refinaria de Pasadena, na Califórnia, em 2006. A refinaria americana pertencia à empresa belga Astra Oil, que tinha desembolsado pouco mais de US$ 42 milhões na compra, e depois revendeu 50% da refinaria à petroleira brasileira por US$ 370 milhões.

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Documentos revelam que a compra foi aprovada por Dilma Rousseff que, na época, era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho da Petrobrás. Nesta quarta-feira, 19, o Palácio do Planalto publicou nota dizendo que informações foram omitidas do relatório usado para embasar a compra da refinaria. Segundo o governo, se o relatório estivesse completo, a compra não teria sido aprovada.

Uma das omissões do relatório foi  a “cláusula Marlin” que garantia um lucro de 6,9% ao ano à Astra Oil, independente das condições do mercado. A cláusula mais importante, que segundo a presidência foi omitida, era a “Put Option”, que estabelecia que, na falta de acordo entre as duas empresas, uma deveria comprar a outra, o que acabou acontecendo.

Depois da compra realizada, verificou-se que o petróleo brasileiro era “mais pesado” e só poderia ser refinado com modificações que levariam a investimentos de mais US$1,5 bilhão. Belgas e brasileiros se desentenderam, e a Petrobrás, depois de uma batalha judicial, teve que comprar a outra metade dos belgas, passando a controlar 100% da refinaria. Foram mais US$ 820 milhões pela outra metade. A refinaria foi colocada à venda, mas a proposta da multinacional americana Valero, de US$180 milhões, em 2012, não agradou. Até hoje a refinaria pertence a Petrobras, que mudou de ideia sobre vendê-la. Segundo Graça Foster, presidente da empresa, a estratégia agora é esperar para “capturar margens que até agora não capturou”.

A Polícia Federal quer agora investigar a negociação. Apesar de não ter autoridade para investigar empresas com ações mistas, como é o caso da Petrobras, a PF pode investigar o crime de evasão de divisas, quando se manda dinheiro para o exterior sem declará-lo. A polícia desconfia do alto valor gasto pela estatal e da presença de um ex-funcionário da Petrobras em cargo executivo da empresa belga.

Depois das acusações, a Petrobras criou uma comissão interna para apurar as denúncias. A atual presidente da Petrobras, Graça Foster também foi convidada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para esclarecer denúncias envolvendo a Petrobras, entre as quais a compra da refinaria de Pasadena.

 

  

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

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