Petrobras deve anunciar reajuste de 6% para combustíveis até o fim do mês

 

A Petrobras tem aumentado a pressão sobre o governo, seu acionista majoritário, para relaxar o controle sobre os preços da gasolina e do diesel no país. Uma plano de reajuste foi apresentado à diretoria da empresa, que deve se reunir no dia 22 de novembro para discutir a proposta. Um novo reajuste de cerca de 6% é esperado poucos dias depois. Se uma nova metodologia de precificação também for acordada, nos moldes do que propõe a Petrobras, a medida pode reforçar tanto a posição financeira como a credibilidade da estatal.

Desde o início de 2010 a Petrobras vende combustível no mercado interno a preços muito abaixo do mercado internacional. Em agosto deste ano, a queda do real aumentou temporariamente a diferença entre o preço da gasolina doméstica e internacional para 27%, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura ( CBIE , uma consultoria). A recuperação parcial da moeda brasileira desde então diminuiu esta margem para 12%.

A Petrobras teve de aumentar importações de petróleo, pagando acima do que cobra no país, devido a um período de baixa produção nacional somado ao aumento do consumo. A estatal não foi capaz de repassar a diferença de preço aos consumidores por causa da resistência do governo. O último aumento do preço da gasolina autorizado pelo governo foi de 6,6% no início deste ano.

Início de ano conturbado

Durante os primeiros nove meses do ano, o rombo na Petrobrás chegou a R$ 4,3 bilhões, segundo a estatal. Isso teve um impacto sobre os resultados financeiros da empresa, prejudicando o valor de suas ações e a sua credibilidade. No terceiro trimestre de 2013, o lucro líquido da Petrobras ficou em R$ 3,4 bilhões, uma queda de 45% na comparação com o segundo trimestre. Enquanto isso, sua dívida líquida subiu para R$ 193 bilhões, mais de três vezes seu lucro, colocando a avaliação de seu grau de investimento potencialmente em risco.

Uma das três principais agências de classificação de risco, a Moody’s rebaixou a classificação da dívida da empresa no mês passado, levando a presidente da estatal,  Maria das Graças Foster, a afirmar que se tratava de um alerta do mercado e a pedir oficialmente para o governo rever a sua política de preços.

Nova fórmula de preços deve incluir vários critérios

A nova metodologia para o reajuste dos preços do petróleo sugerida pela Petrobras inclui vários critérios, tais como os preços internacionais de combustíveis, as variações da taxa de câmbio e os preços locais dos combustíveis na bomba (que também variam, uma vez que 25% da gasolina contém etanol, cujo preço é definido pelo mercado). A fórmula será discutida no final deste mês na reunião da diretoria da empresa, que é presidida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Até agora, Mantega defendeu a manutenção do controle dos preços dos combustíveis como uma forma de conter a inflação, que ultrapassou o teto da meta ( 2,5-6,5 %) no segundo trimestre. Mas os comentários públicos de Foster propondo um reajuste e uma nova metodologia de preços antes mesmo da reunião do conselho sugere que ela já tem o apoio da presidente Dilma, apesar da relutância de Mantega.

A nova fórmula mais flexível de precificação do combustível no país deverá ser anunciada poucos dias após a reunião do conselho, em 22 de novembro. O esperado relaxamento dos controles do governo sobre o combustível será um alívio para a Petrobras e seus acionistas, cujas finanças já estão esticadas devido a um ambicioso programa de investimentos adotado pela empresa.

 

 

Fontes: Economist Intelligence Unit – Petrobras Proposes New Fuel Pricing Formula

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