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Pesquisa revela a cara do Brasil que elegerá o próximo presidente

Fonte: votebrasil.com

Daqui a quatro anos, quando, provavelmente, a presidente Dilma Rousseff estará tentando a reeleição para a Presidência da República, cerca de 80% dos eleitores da classe C se lembrarão do início da melhoria da distribuição de renda no período da gestão do PT.

Gabriela Carvalho, 26 anos, não esconde o orgulho quando se lembra das conquistas pessoais. Filha de um porteiro e de uma manicure — ambos migrantes cearenses —, estudou a vida inteira no ensino público até cursar uma faculdade de jornalismo particular, concluída graças ao Programa de Financiamento Estudantil (Fies).

Em relação aos pais, teve oportunidade de estudar mais, de conquistar acesso amplo a informações e transformou-se na formadora de opinião da família.

Ela integra a nova classe média brasileira, composta por famílias com renda mensal domiciliar total entre R$ 1.064 e R$ 4.561. Em 2014, o grupo que envolve a jornalista e outros 29,4 milhões de jovens entre 18 e 34 anos da classe C será maior que o total de eleitores das classes A e B juntas (23,7 milhões).

Esse dados fazem parte de uma pesquisa realizada pelo Data Popular e que será apresentada, em 8 de agosto, na capital federal, no seminário Políticas Públicas para uma Nova Classe Média, idealizado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

O governo tem uma preocupação social com essa fatia da população, principalmente para não haver retrocesso econômico na vida dela. Isso, claro, poderia trazer um prejuízo eleitoral enorme.

É de praxe que a classe média seja o fiel da balança nas eleições de vários países. No Brasil, porém, isso é diferente. A classe C tem a maioria absoluta. Em 2010, essa fatia correspondia a 52% dos eleitores. Em 2014, a porcentagem será ainda maior: 57%. Isso significa que os 71,25 milhões de brasileiros da classe C podem decidir sozinhos o próximo presidente do país e toda a configuração do Congresso.

“Eu percebo que o interesse pela política dos jovens da minha classe social aumentou, especialmente quando há projetos que possam pesar no bolso. Mas ainda falta muito para que haja uma consciência política de fato. Nas últimas eleições, por exemplo, não só meus pais, mas várias outras pessoas da minha família quiseram saber em quem eu iria votar para fazerem o mesmo”, diz Gabriela.

O ministro-chefe da SAE, Wellington Moreira Franco, destaca que um dos trunfos dos jovens da nova classe média é que, em linhas gerais, eles têm uma vida melhor do que os pais tiveram quando mais novos. “Esse é um dado de esperança fundamental.

O seminário quer responder exatamente que medidas o governo deve tomar para acompanhar toda a conjuntura econômica. É necessário criar uma ‘tranca’ para que essas pessoas não tenham um retrocesso”, afirma Moreira Franco.

Ainda de acordo com o ministro, o governo tem pensado em uma nova geração de políticas sociais. Uma das “trancas”, expressão utilizada pelo próprio Moreira Franco para designar um mecanismo que evite uma piora na qualidade de vida da nova classe média, pode funcionar usando os moldes do PIS/Pasep ou de abonos salariais.

Sustentável

Esse crescimento significativo da classe média só é ruim para o país se não for sustentável. Essa é a avaliação do economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Marcelo Neri.

Ele classifica a classe C como o “Pelé da economia brasileira”, principalmente com a situação atual de instabilidade externa. “A nova classe média tem se mostrado muito sustentável. Principalmente depois de 2003. Agora, por exemplo, não há qualquer sinal de um desaquecimento econômico dessa parcela da população”, avalia Neri.

Além dessa boa fase na economia da nova classe média brasileira, outro dado contido na pesquisa deve ser fundamental para um bom resultado do governo nas urnas.

Daqui a quatro anos, quando, provavelmente, a presidente Dilma Rousseff estará tentando a reeleição para a Presidência da República, cerca de 80% dos eleitores da classe C se lembrarão do início da melhoria da distribuição de renda no período da gestão do PT. Por outro lado, quase 50% desses eleitores terão recordações efetivas do período inflacionário.

Esses espólios de épocas antes e depois da chegada do PT ao poder tendem a ajudar ainda mais Dilma. A pesquisa do Data Popular foi elaborada a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), por levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), além da Pesquisa de Orçamento Familiar de 2009. Foram ouvidos 5 mil brasileiros da nova classe média com idades entre 18 e 69 anos no primeiro trimestre deste ano.

 

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