Brasil  

Pena de delatores da Lava Jato cai de 283 para sete anos

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Procuradores que integram a força-tarefa da operação afirmam que os acordos de delação premiada têm sido fundamentais para o avanço das investigações
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alberto-youssef-fotospublicas-830x526Por conta dos acordos de colaboração, os 13 delatores da Operação Lava Jato que tinham sido condenados, ao todo, a 283 anos e nove meses de reclusão tiveram suas penas reduzidas para no máximo seis anos e 11 meses de prisão em regime fechado. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

O balanço feito pelo jornal é baseado apenas nos processos cujas sentenças já foram decretadas pelo juiz Sérgio Moro. Alguns delatores da Lava Jato ainda respondem a ações sem decisão judicial.

De acordo com os procuradores que integram a força-tarefa da operação, os acordos de delação premiada têm sido fundamentais para o avanço das investigações.

Em entrevista à Folha, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da Lava jato, explicou que “nos acordos de colaboração, o princípio é de que se troca um peixe por um cardume, ou um peixe pequeno por um grande [..] As colaborações são feitas para alcançar provas em relações a diversas outras pessoas, incluindo criminosos com atuação mais relevante no crime, e para recuperar o dinheiro desviado”.

Dallagnol ressaltou ainda que os cerca de 40 acordos de delação feitos até agora permitiram acusações criminais contra 179 pessoas por corrução, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Deste total, 80 pessoas já foram condenadas a penas que somam 783 anos de prisão.

O procurador afirmou também que ainda há outras centenas de pessoas sendo investigadas.

Críticos da delação afirmam, no entanto, que tais acordos podem passar a sensação de impunidade. Há quem diga que se trata de uma medida de duvidosa legalidade e legitimidade. Em entrevista à Folha, o advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira argumenta que o delator, na verdade, “está delatando pura e simplesmente para se ver livre de prisões”, e ainda que ele “delata e fala o que as autoridades queiram que ele delate e fale”.

Um dos mais importantes delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, por exemplo, que foi inicialmente condenado a 82 anos e oito meses de prisão, graças à delação premiada ficará apenas três anos preso em regime fechado.

 

Fonte: Opinião&Notícias

 

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