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Passeatas do dia 12 de abril acontecerão em 161 cidades

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Por Gilberto Perez – Opinião&Notícia
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955002-ajufe_9998Após os protestos do dia 15 de março atraírem mais de 2 milhões de pessoas em todo o país, o foco dos organizadores agora é neste próximo domingo, 12 de abril, data em que esperam levar um número ainda maior de eleitores insatisfeitos às ruas de 161 cidades.Os protestos vêm sendo organizados em escala nacional por dois principais grupos: o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Vem Pra Rua. Embora as manifestações do dia 15 tenham tomado uma proporção muito maior do que até os organizadores esperavam, atraindo desde aqueles insatisfeitos apenas com as medidas de ajuste fiscal até os que defendem uma intervenção militar, os organizadores do movimento têm como principal objetivo o impeachment da presidente.

Em entrevista ao O&N, Kim Kataguiri, um dos coordenadores nacionais do MBL, diz que a expectativa para as manifestações de domingo é ainda maior que a anterior quanto ao número de participantes. Elas também não serão as últimas. A ideia do MBL é continuar a organizar protestos até que seja iniciado um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, por seu suposto envolvimento nos recentes escândalos de corrupção no país.

“O Petrolão e o Mensalão não foram meros casos de corrupção, foram o governo federal submetendo o poder Legislativo aos seus interesses”, diz Kataguiri. “Acabar com a separação dos três poderes é destruir a República, e isso é um crime político gravíssimo. Portanto, pedimos o impeachment da presidente Dilma Rousseff no dia 15 e pediremos novamente no dia 12 de abril”.

‘Cariocas Diretos’

11096817_826175190784890_1750475230_n-225x300Pedro Mercante, que também participou da organização das passeatas de março pelo MBL e hoje faz parte do movimento Cariocas Direitos, afirma que o pedido de impeachment tem base jurídica, segundo vários especialistas na área.

“Não sairíamos à rua pedindo o impedimento da presidente se não houvesse um parecer judicial favorável a essa condição de mais de um jurista”, diz. “A gente preza pela democracia, tanto pela eleição de um presidente quanto pela perda da sua legitimidade. A saída da presidente só irá ocorrer se houver representatividade popular, é isso que queremos. O povo tem que ir pra rua pedir a convocação de novas eleições”.

Vem pra Rua

Luciana Arraes, uma das coordenadoras do Vem Pra Rua, no Rio de Janeiro, afirma que a intenção do grupo é expandir ainda mais o movimento, aumentando a participação de cidades menos populosas para mostrar a indignação de todo o povo e pressionar para que investigações sejam concluídas de forma satisfatória. Segundo Luciana, o movimento continuará batalhando pelo fim da impunidade.

“Gostamos muito de atos pontuais, achamos que eles têm grande impacto, então, deveremos seguir por esse caminho após o dia 12. Queremos um basta na impunidade e para isso não podemos deixar de nos expressar e pressionar”, afirmou.

Expectativa superada

Não foi só o governo que ficou surpreso com a quantidade de manifestantes que foram às ruas no dia 15. Somente em São Paulo, mais de 1 milhão aderiram aos protestos.

“Ficamos surpresos, sabíamos que o brasileiro estava descontente com o governo, mas não imaginamos que teríamos tanta adesão. Isso mostra que o povo está cansado das desculpas e que não compra mais a ideia do país perfeito, sem inflação e miséria, que foi vendido antes da eleição”, diz Luciana.

Kataguiri conta que esperava em torno de 200 mil participantes em São Paulo e 1 milhão em todo o país. Mercante acrescenta que a expectativa inicial era de mil pessoas no Rio de Janeiro, mas com a divulgação na mídia e a ajuda de famosos convocando pessoas nas redes sociais, o evento começou a crescer.

Intervenção militar fora de questão

Ao contrário do que muitos veículos divulgaram às vésperas do protesto de 15 de março, os movimentos não apoiam uma intervenção militar no governo. Tanto o MBL como o Vem Pra Rua defendem um governo democrático, liberal e que siga as leis.

“Defendemos o impeachment sim, mas somos completamente contra uma intervenção militar, afinal, somos liberais e defendemos a República, ou seja, repudiaremos qualquer tipo de atitude que não esteja dentro do campo democrático”, diz o representante do MBL.

Mercante acredita que a dúvida surge por ser um movimento popular, o que o torna plural. Há pessoas nas manifestações que de fato defendem essa bandeira, o que não significa que os movimentos o façam, diz.

Resposta do governo não agrada

A resposta do governo às manifestações e à crise não agradou aos líderes dos movimentos até agora. Tanto o pacote fiscal quanto as medidas anticorrupção foram considerados insuficientes para solucionar os problemas do Brasil. Luciana afirmou que o ajuste fiscal sacrifica a população pela incompetência do governo. Tanto ela quanto Kataguiri dizem que repassar o custo ao contribuinte tendo gastos elevadíssimos com parlamentares é um absurdo.

“Pedir que a população se sacrifique ainda mais enquanto o executivo tem quase 40 ministérios, cartões corporativos ilimitados e aumenta os salários e benefícios de parlamentares, soa um tanto quanto hipócrita. Além disso, não temos serviços básicos garantidos, como saúde e educação”, disse Luciana.

Sobre as medidas de combate à corrupção, Mercante reclama que toda vez que aparece algum escândalo de corrupção, como o Mensalão em 2005 e agora o Petrolão, o PT anuncia um pacote. Segundo ele, essa não é a solução. Mercante defende uma consulta popular para decidir sobre a questão da corrupção.

“O pacote anticorrupção vem sendo anunciado desde 2005, ainda pelo ex-presidente Lula, quando houve o caso do Mensalão. Não é isso que vai dar jeito, que vai mudar o modo de operar de uma parte do poder executivo da noite para o dia”, diz Mercante. “É preciso um estudo profundo sobre isso e um debate com a sociedade. Uma ação de cima para baixo cria atrocidades no âmbito legal  e causa um problema de legitimidade do pacote. Não funciona.”

No Rio de Janeiro o protesto do dia 12 de abril será em Copacabana às 14h, e em São Paulo, na Avenida Paulista às 15h. A lista abaixo mostrando todas as localidades e horários  foi divulgada no Facebook do MBL na última terça-feira, 7.

Confira os horários e locais dos movimentos:

Passeatas contra Dilma prometem tomar as ruas do país (Foto: Reprodução/Divulgação)

 

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