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Para oposição, Obama é um ‘fracote’ na Casa Branca

Fonte: opiniaoenoticia.com.br

Com Obama dependendo da permissão de John Boehner para apresentar programa de criação de empregos, EUA se perguntam se ele algum dia lutará pelas políticas em que acredita. Por Michael Tomasky*
 
Me deprime ler declarações como a do porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, que diz que “O presidente espera que os membros do Congresso voltem do recesso de agosto com o espírito do compromisso bipartidário e com a urgência necessária para atender às necessidades de nossa economia e de nossa força de trabalho”. Ou essa: “Haverá uma série de razões para pessoas em ambos os lados gostarem do plano de criação de empregos do presidente”.

É assustador que Barack Obama irá enfrentar a batalha econômica desse outono com seu repertório de clichês datados. De que provas mais ele precisa para entender que os republicanos voltarão a Washington com o espírito da hostilidade partidária? Quando Obama irá revidar?

Espero que a Casa Branca mantenha uma carta na manga, pois até agora o placar marca 2 a 0 para os republicanos (com a ameaça de suspensão do governo e o acordo da dívida) durante um período no qual a popularidade do presidente teve uma queda de 10%, um número impressionante, considerando que, no mesmo período, os Estados Unidos finalmente mataram Osama bin Laden. A tática dos republicanos tem funcionado quase que perfeitamente. Não importa que o partido tenha um alto índice de rejeição. As pessoas votam em candidatos individuais, e no momento, Obama está em apuros, empatado com nomes como Mitt Romney e Rick Perry em alguns dos maiores estados do país. Obviamente todos na casa Branca sabem disso. Eles só parecem não querer fazer nada a respeito.

A declaração sobre o plano de criação de empregos mostra, novamente, que a Casa Branca se recusa a entender o tipo de oposição que está enfrentando. Foi uma tolice agendar a discussão no mesmo dia do debate do Partido Republicano, já que o único canal simpático ao governo, a MSNBC, é a patrocinadora do debate. Qualquer que seja o resultado final, a disputa é um bom exemplo da falta de astúcia política da Casa Branca, e a esperança é a de que Obama reflita sobre o fato de John Boehner ter sido o primeiro presidente do Congresso da história a recusar uma data escolhida pelo presidente do país, e comece a perceber a realidade ao seu redor.

A julgar pelas informações que vazaram, o programa é um tanto modesto, com um provável corte de impostos para empregadores, um benefício fiscal para os empregadores de veteranos militares e mais nada. Eu esperava uma proposta de infraestrutura bancária, que fizesse com que corporações norte-americanas trouxessem os negócios de volta do exterior, e que usasse esse dinheiro para financiar os bancos. Essa é uma ideia que circula por Washington, e até mesmo Tom Donahue, da Câmara de Comércio, já se mostrou favorável a ela.

Os liberais querem que Obama vá mais longe – como, por exemplo, uma proposta de US$ 227 bilhões para um programa de empregos públicos financiado por um imposto extra em famílias com rendas acima de US$ 1 milhão. Eles querem que Obama anuncie ideias grandes e claras, capazes de cativar o povo. Deixe que os republicanos as bloqueiem, e então os culpe, para que a população veja quem está impedindo a criação de empregos. Tenho certeza de que Obama afirmaria que nunca iria propor algo que ele soubesse que não seria aprovado, e preferiria vitórias menores que poderiam produzir alguns empregos que pudessem lhe garantir alguns pontos politicamente.

É justo – exceto pelo fato de que não há porque acreditar que ele vá conseguir nem ao menos as pequenas vitórias. Os republicanos tratarão qualquer coisa que ele faça como um novo plano fracassado de estímulo, a propaganda de direita colocará uma fatwa sobre a cabeça de qualquer congressista ou senador mais ousado, e nenhum plano com “Obama” no nome será aprovado no Senado, muito menos na Câmara, e é assim que será. Sabemos disso.

Por isso é tão desesperador ler declarações como as de Carney. O plano pode ser ousado ou modesto. O importante é que ele terá que lutar com todas as forças, mas não o fará. Ao invés de culpar ambos os lados, ele não culpa nenhum. Ele fala em acabar com os impasses partidários como se falasse de uma ato divino, como o furacão Irene, que poderia ser superado se todos unissem forças.

Mas a verdade é que o impasse é um ato dos homens. McConnell, Boehner e Cantor nunca são criticados pelo presidente. São duas sílabas a mais do que “Martin, Barton e Fish”, o trio de obstrucionistas republicanos denunciados por Franklin Roosevelt, mas o presidente é um homem articulado, que certamente não teria dificuldade em pronunciar esses nomes.

Lembre-se, Obama. Você foi o homem eleito sob a plataforma da mudança. É hora de mudar.

* Correspondente da Newsweek e editor do Democracy: A Journal of Ideas

 

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