Para cientista político, José Dirceu já busca espaço no governo Dilma

Fonte: votebrasil.com

“É já uma disputa dentro do governo. Ele quis mandar um recado para a Dilma (candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff), de que ele quer espaço”, afirmou Cervi.

O cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emerson Cervi disse nesta quarta-feira, em Curitiba, que a palestra feita pelo ex-deputado federal e ex-chefe da Casa Civil do governo Luiz Inácio Lula da Silva, José Dirceu, em Salvador, é um “discurso pós-eleitoral”.

“É já uma disputa dentro do governo. Ele quis mandar um recado para a Dilma (candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff), de que ele quer espaço”, afirmou Cervi.

O professor entende que Dilma tem “poder de barganha” menor do que Lula tinha, por isso precisará mais do PT. “E tem o PT do Zé Dirceu e o PT do Antônio Palocci”, disse. “O Zé Dirceu já mandou o recado dele.” Além disso, Cervi ressaltou que o ex-ministro da Casa Civil sempre foi um “homem de partido”. “Ele faz discurso partidário, o interesse também é o fortalecimento partidário”, afirmou.

Cervi disse não discordar do discurso de Dirceu em relação ao monopólio da grande imprensa. Mas questionou sobre o que o ex-deputado e o PT fizeram nos últimos 30 anos com vistas a quebrá-lo.

“Os grandes meios de comunicação não vão ser bonzinhos e abrir mão do monopólio”, afirmou. “O que faltou nas últimas décadas foi competência para os movimentos sociais, e não adianta culpar a grande mídia pela incompetência.”

Para o também cientista político da UFPR Ricardo Costa de Oliveira não se deve dar muita importância às palavras proferidas pelo ex-ministro. “Deve ser vista mais como opinião particular de um intelectual”, acentuou. “Não representa posição oficial.” Segundo ele, a transcrição do discurso contém algumas lacunas, o que prejudicaria o entendimento.

“O mais importante é que o PT assinou a Constituição de 1988, o que é uma responsabilidade com a ordem política e jurídica, além da Carta ao Povo Brasileiro em junho de 2002”, disse. “De maneira formal se compromete a respeitar contratos nacionais e internacionais e as instituições.”

Segundo Oliveira, os ataques entre personalidades políticas, que se tornaram comuns nos últimos dias, “não interessa à democracia brasileira e não acrescenta nada ao debate eleitoral”.

O cientista lembrou que normalmente agosto é considerado um mês de crises, mas, este ano, “houve um desempenho produtivo no debate eleitoral”.

O mesmo não se pode dizer de setembro, repleto de dossiês. “Tem que voltar a agosto, que foi enriquecedor para o eleitor”, sugeriu. “Dossiês não são pautas que convencem mais o eleitor, pois ele sabe que nas semanas anteriores às eleições há um festival de denuncismo.”

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